Assembleia fortalece participação de mulheres indígenas na gestão territorial e no enfrentamento às mudanças climáticas

Com apoio da Conservação Internacional e do Instituto Clima e Sociedade (iCS), encontro do Instituto Raoni reuniu mulheres de cinco povos para discutir suas prioridades, prevenção de incêndios e participação nas decisões sobre os territórios.

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September 25, 2026

Terra indígena Capoto/Jarina (MT), 25 de setembro de 2026 – O fortalecimento da articulação e participação das mulheres indígenas nas decisões sobre os territórios foi um dos temas centrais da III Assembleia de Mulheres do Instituto Raoni, ocorrida na Aldeia Piaraçu, localizada na Terra Indígena (TI) Capoto-Jarina. Apoiado pela Conservação Internacional (CI-Brasil) e pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), o encontro realizado entre 22 e 25 de setembro pelo Departamento de Mulheres do instituto (ROPNI) reuniu mulheres dos povos Mebengokrê, Tapayuna, Yudjá, Trumai, Panará e de comunidades associadas à organização.

A programação incluiu apresentação dos resultados, trocas de experiências, avaliação das ações realizadas pelo ROPNI e discussões sobre as prioridades, desafios e caminhos para fortalecer cada vez mais a participação e o protagonismo das mulheres em seus territórios e comunidades. A sensibilização sobre consumo de álcool e questões relacionadas a saúde das mulheres também integraram a agenda, conectando o cuidado com o território à saúde, à segurança e ao bem-estar das comunidades.

As discussões também abordaram as mudanças climáticas, o El Niño e seus potenciais impactos sobre o território. Diante da seca e das temperaturas mais elevadas na região, foi ressaltada a necessidade de fortalecer a prevenção e o manejo do uso do fogo para evitar o início e a propagação de incêndios. A importância da participação das mulheres nessas ações foi um tema transversal às apresentações e aos debates.

Os incêndios florestais, apontados como o principal problema ambiental da TI, estiveram entre os destaques do encontro. Durante a apresentação da brigada do Prevfogo/Ibama que atua no território, foi compartilhada uma redução de 76% na ocorrência de incêndios de 2024 para 2026, período em que vêm sendo desenvolvidas ações de Manejo Integrado do Fogo.

Para Renata Pinheiro, diretora do programa de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais da CI-Brasil, apoiar espaços de organização das mulheres contribui para fortalecer as trocas e união entre elas e fomentar sua participação nos processos de tomada de decisão sobre o território:

“As mulheres indígenas detêm conhecimentos, e práticas construídas a partir de uma relação muito estreita com o território e a natureza a sua volta. A observação dos ciclos naturais e o acúmulo de conhecimentos repassado ao longo de muitas gerações torna esses conhecimentos centrais para ações de enfrentamento e adaptação as mudanças climáticas, muitas delas já presentes nos territórios. Apoiar seus espaços de articulação fortalece o protagonismo feminino na gestão territorial e contribui para que seus conhecimentos orientem estratégias de enfrentamento e adaptação que integrem a conservação da natureza, equidade de gênero, continuidade dos modos de vida e o bem-estar das comunidades indígenas.”