Conservação Internacional debate papel das remoções no mercado de carbono durante Conferência Brasileira Clima e Carbono 2026

Participação destacou o potencial dos créditos de remoção para a ação climática e o desenvolvimento dos territórios

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August 28, 2026

28 de agosto de 2026 – Nesta sexta-feira (28), a Conservação Internacional (CI-Brasil) participou do segundo dia da 4ª Conferência Brasileira Clima e Carbono, que neste ano teve como tema “Da regulação à escala: construindo a economia climática”. O evento reuniu especialistas e representantes de diferentes setores para discutir os caminhos para o fortalecimento do mercado de carbono no Brasil.

Elen Blanco, coordenadora sênior de Finanças para o Clima da CI-Brasil, integrou o painel “O papel das remoções no mercado de carbono”, dedicado à discussão sobre a contribuição dos projetos que removem carbono da atmosfera e geram créditos para o desenvolvimento do mercado brasileiro. O debate também contou com Juliana Rolla, CEO da Oma Ativos Ambientais, e Soraya Pires, Global Head of Climate Solutions na Biofílica, com a moderação de Marcelo Ferronato, secretário executivo da Aliança pela Restauração na Amazônia.

Ao abordar a relação entre créditos de remoção, financiamento climático e os territórios onde os projetos são desenvolvidos, Elen destacou a importância de associar a geração desses ativos a benefícios socioambientais:

“Mecanismos de financiamento climático devem contribuir para ampliar a escala de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) com integridade socioambiental”, frisou a coordenadora. “Projetos de carbono frequentemente operam em territórios ricos em biodiversidade e historicamente ocupados ou utilizados por populações locais. Por isso, a estruturação dessas iniciativas precisa considerar, desde o início, como os benefícios serão gerados e compartilhados com essas pessoas”.

A coordenadora também chamou atenção para a necessidade de que os recursos contribuam para criar condições de continuidade das ações. “Não basta mobilizar recursos para a restauração. Precisamos investir na capacidade local de fazer essa restauração acontecer, permanecer e continuar gerando benefícios no território. O carbono pode ser uma camada adicional de financiamento para os territórios, mas, para gerar impacto de longo prazo, precisa fortalecer as capacidades, organizações e estruturas que já existem localmente”, destacou.

Nesse contexto, Elen abordou o papel das salvaguardas socioambientais para assegurar o alinhamento aos contextos sociais e territoriais: “É fundamental estabelecer e implementar salvaguardas para identificar riscos, respeitar direitos, garantir a participação das pessoas e orientar a distribuição dos benefícios nos territórios. O consentimento informado é parte essencial desse processo e só existe quando a informação é realmente compreendida. Em projetos de longo prazo, o engajamento não termina na assinatura: ele precisa fazer parte da governança do projeto.”

Por fim, a coordenadora destacou esse compromisso na forma como a Conservação Internacional estrutura seus próprios projetos de carbono: “Os projetos da Conservação Internacional são focados na geração de créditos de remoção de carbono, mas também são desenhados para contribuir com o desenvolvimento das comunidades locais a partir de uma política robusta de salvaguardas, reforçando o compromisso com a implementação de SBN justas e responsáveis”, completa.