Conservação Internacional e parceiros apoiam a conservação de mais de 100 milhões de hectares em cinco anos

Relatório do Ciclo 2021–2025 reúne os principais resultados, avanços e aprendizados da Conservação Internacional no Brasil e apresenta perspectivas para ampliar a atuação até 2030.

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November 3, 2026

Rio de Janeiro (RJ), 3 de novembro de 2026 — A Conservação Internacional (CI-Brasil) divulgou seu Relatório do Ciclo 2021–2025, que reúne os principais avanços e aprendizados dos últimos cinco anos de atuação pela conservação da natureza para o bem-estar da população brasileira. Durante o período, a implementação de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) pela organização contribuiu para a conservação de 101,6 milhões de hectares e beneficiou diretamente 100 mil pessoas, gerando benefícios para quem depende de ecossistemas para a subsistência, identidade cultural e qualidade de vida.

A publicação apresenta um panorama da evolução da estratégia da CI-Brasil, que combinou conhecimento científico, saberes tradicionais, inovação e articulação entre diferentes setores para ampliar o alcance de iniciativas relacionadas à proteção de ecossistemas, produção sustentável e restauração de paisagens no país. Os resultados abrangem 52 projetos implementados em 348 municípios de 16 estados, com destaque para a Amazônia, que concentrou 49% da área alcançada, seguida pelos ambientes costeiros e marinhos, com 48%.

“O trabalho da CI-Brasil é uma expressão do nosso compromisso com o país, seus ecossistemas, sua cultura e, acima de tudo, seu povo. Os resultados desses cinco anos refletem um esforço coletivo construído com diferentes atores e demonstram a capacidade da conservação em gerar benefícios concretos para a natureza e para as pessoas. Essa trajetória nos dá uma base sólida para ampliar ainda mais nosso impacto e seguir contribuindo para que o Brasil avance no cumprimento dos compromissos assumidos sobre clima, biodiversidade e desenvolvimento sustentável até 2030 - como o Acordo de Paris, o Marco Global de Biodiversidade e a Agenda 2030 da ONU”, destaca Mauricio Bianco, vice-presidente sênior da Conservação Internacional (CI-Brasil).

De acordo com Bianco, o relatório mostra como a integração entre ciência, saberes tradicionais, políticas públicas, financiamento e experiências nos territórios contribui para enfrentar as crises do clima e da biodiversidade, ao mesmo tempo que fortalece economias baseadas na floresta em pé e gera oportunidades para as comunidades locais.

Cinco anos de resultados

Os avanços do ciclo resultam da atuação integrada da organização em cinco agendas complementares: Restauração de Florestas e Paisagens, Soluções para o Clima, Conservação Marinha e Costeira, Paisagens Sustentáveis e Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais.

Na restauração de paisagens, os projetos da CI-Brasil alcançaram 117 mil hectares em processos de recuperação direta ou amplificada, com o plantio de 146 milhões de mudas nativas e a remoção de 1,2 milhão de toneladas de CO₂ da atmosfera. A atuação também incluiu o fortalecimento da cadeia da restauração, o lançamento do Restaura Biomas, iniciativa voltada à recuperação da vegetação nativa em escala nacional, e o desenvolvimento da CIERA — Assistente de Restauração de Ecossistemas da Conservação Internacional, ferramenta que utiliza inteligência artificial e dados geoespaciais para apoiar a identificação de áreas prioritárias para restauração.

Na agenda de Soluções para o Clima, a CI-Brasil apoiou a gestão de 23,1 milhões de hectares de áreas protegidas, com um estoque estimado de 2 gigatoneladas de carbono e 20,2 milhões de toneladas de CO₂ em emissões evitadas. A atuação combinou apoio técnico a governos, inteligência territorial, fortalecimento institucional e mobilização de recursos públicos e privados, totalizando US$ 202,1 milhões mobilizados para financiamento climático. Entre os destaques está o Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil), que integrou políticas públicas, governança ambiental e ações de conservação e restauração em campo.

A conservação marinha e costeira também avançou, com ações que contribuíram para a proteção de 48,8 milhões de hectares marinhos e costeiros e 63,3 mil terrestres, associados ao estoque de 87,7 milhões de toneladas de carbono. Nesse período, a organização apoiou o desenvolvimento do Programa Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Manguezais do Brasil (ProManguezal), a criação das primeiras Reservas Nacionais de Surf e o fortalecimento da Aliança Futuri para o Turismo Regenerativo, além de iniciativas relacionadas a carbono azul e infraestrutura verde-cinza.

Nas paisagens produtivas, as ações realizadas em parceria com produtores rurais, governos, instituições de pesquisa e empresas alcançaram 534 mil hectares com práticas de agricultura de baixo carbono, contribuindo para evitar a emissão de 19,5 milhões de toneladas de CO₂. O trabalho envolveu apoio à regularização ambiental, à recuperação da vegetação nativa e à adoção de práticas como a intensificação de pastagens e os sistemas integrados de produção. Entre os destaques está a atuação da CI-Brasil como conselheira de impacto do The Reforestation Fund, iniciativa do BTG Pactual Timberland Investment Group (TIG) voltada à proteção e restauração em larga escala no Cerrado brasileiro.

A parceria com povos indígenas e comunidades tradicionais foi outro eixo estruturante. Ao longo do ciclo, as iniciativas apoiadas pela organização contribuíram para a conservação de 14 milhões de hectares em Terras Indígenas, envolvendo 26 povos indígenas, e de outros 15,2 milhões em territórios de comunidades tradicionais - resultando no estoque de 14 milhões de toneladas de carbono e evitando a emissão de 15,2 milhões de toneladas de CO₂. As atividades abrangeram gestão territorial, monitoramento, fortalecimento organizacional, conservação da biodiversidade e valorização dos conhecimentos tradicionais, além de programas voltados ao fortalecimento da liderança e do protagonismo de mulheres indígenas.

"Esses resultados foram viabilizados por uma ampla rede de colaboração entre organizações da sociedade civil, governos, empresas, instituições financeiras, universidades, povos indígenas e comunidades tradicionais, entre outros atores, evidenciando o papel das parcerias na construção de Soluções Baseadas na Natureza adaptadas às realidades de cada território", ressalta o vice-presidente sênior da CI-Brasil.

2025: 35 anos e COP30

O encerramento do ciclo coincidiu com os 35 anos de atuação da CI-Brasil e com a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém (PA) - a primeira realizada na Amazônia.

Como parte da celebração do aniversário institucional e dos preparativos para a COP30, a organização lançou a campanha "Conservar é Nossa Arte" para aproximar as Soluções Baseadas na Natureza de novos públicos e ampliar o diálogo sobre a relação entre pessoas e natureza por meio da cultura.

Com Gilberto Gil como principal porta-voz, a iniciativa teve como peça central o vídeo-manifesto “Esse Não É o Fim”, exibido durante sua turnê de despedida pelo Brasil. A campanha mobilizou 28 artistas e influenciadores em torno da relação entre criação e natureza e alcançou mais de dois milhões de visualizações. Às vésperas da Conferência, a artista amazônida Zaynara assumiu o protagonismo da campanha com objetivo de conectar a agenda climática com públicos jovens de diferentes expressões culturais.

Durante a COP30, a organização promoveu espaços de diálogo e participou de debates sobre diferentes dimensões da conservação da natureza, participando de 65 eventos com articulação de mais de 100 parceiros, entre governos, organizações da sociedade civil, instituições acadêmicas, organismos multilaterais, fundações e empresas.

A Conferência também foi palco para o desenvolvimento e apresentação de iniciativas das agendas programáticas da CI-Brasil. Entre elas estão novas articulações para financiamento de florestas tropicais, uma parceria para ampliar a restauração no Xingu, acordos de cooperação com o estado do Pará e o município de Bragança e o lançamento das Primeiras Recomendações Nacionais de Salvaguardas para Projetos de Carbono Azul no Brasil.

"2025 foi marcado por iniciativas que ampliaram a influência, a capacidade de articulação e a visibilidade da CI-Brasil. Em seu 35º aniversário de atuação no Brasil, fortalecemos e ampliamos nossas parcerias durante a COP30 e ampliamos o diálogo sobre conservação a partir de novas linguagens que conectam a natureza ao cotidiano das pessoas", pontua Bianco.

Próximo ciclo: ampliar a conservação até 2030

O relatório encerra apresentando as perspectivas da estratégia 2026–2030, orientada pela necessidade de ampliar a escala e a permanência dos resultados. A nova etapa estabelece a meta de 185 milhões de hectares conservados até 2030 e, para isso, prevê afundar a integração entre as áreas da organização através de uma abordagem focada nos territórios e fortalecer mecanismos financeiros, políticas públicas, inovação e capacidades locais.

“Os próximos anos serão decisivos para alcançarmos os compromissos globais de clima e biodiversidade estabelecidos para 2030. Nossa estratégia reflete um dos principais aprendizados dos últimos anos: alcançar resultados duradouros exige mais do que implementar projetos. É necessário ampliar parcerias, mobilizar investimentos e desenvolver capacidades para que a proteção, o manejo sustentável e a restauração de paisagens avancem de forma integrada, conectando as necessidades das pessoas à conservação dos ecossistemas dos quais dependemos. Queremos construir esse novo ciclo ao lado das pessoas e instituições que compartilham nosso compromisso com um Brasil onde a natureza e a população prosperem juntas”, finaliza o vice-presidente sênior.

Leia o Relatório do Ciclo 2021–2025 completo e conheça os resultados e as perspectivas da CI-Brasil para os próximos anos.