Rio de Janeiro (RJ), 2 de setembro de 2026 – A Conservação Internacional (CI-Brasil) foi selecionada para representar a sociedade civil no plenário da Comissão Nacional para REDD+ (CONAREDD+), instância responsável por orientar e acompanhar a implementação da agenda de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Floresta (REDD+) no Brasil. A organização será representada por Cauê Carrilho, diretor técnico de REDD+, como titular, e Louise Hill, gerente de Política e Incentivos, como suplente.
A seleção é resultado de um processo conduzido pelo Fórum Brasileiro de Mudança do Clima (FBMC) para definir as organizações representantes da sociedade civil e do setor privado na Comissão. Entre os critérios considerados estão a experiência institucional das organizações, a qualificação e trajetória dos profissionais indicados e a aderência das candidaturas aos temas de atuação da CONAREDD+.
Para Cauê, a participação da sociedade civil na Comissão ganha relevância em um momento de expansão dos mecanismos voltados à mobilização de recursos para florestas e clima no país:
“A CONAREDD+ é peça-chave para o avanço do financiamento climático e da governança de REDD+ no Brasil. Ao reunir governo, sociedade civil e setor privado, a Comissão cria um espaço de construção colaborativa de diretrizes sobre temas críticos, como salvaguardas socioambiental, aninhamento e repartição de benefícios. Esse papel se torna ainda mais estratégico diante da consolidação e expansão dos programas jurisdicionais de REDD+, dos projetos privados, da estruturação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões e das novas oportunidades de comércio e financiamento associadas ao Artigo 6 do Acordo de Paris”, afirma.
A nomeação reconhece e amplia a contribuição da Conservação Internacional para o desenvolvimento de mecanismos capazes de direcionar financiamento para Soluções Baseadas na Natureza (SBN) - como a proteção de ecossistemas, o manejo sustentável e a restauração de paisagens. Apesar de representarem cerca de 30% das ações necessárias para enfrentar a crise do clima, as SBN recebem apenas 3% do financiamento climático global.
“Para a Conservação Internacional, assumir uma cadeira no plenário da CONAREDD+ representando a sociedade civil é uma oportunidade de colocar nossa experiência nacional e internacional a serviço do fortalecimento da política climática brasileira. A partir da atuação em mercados de carbono, projetos e programas jurisdicionais de REDD+, mecanismos do Artigo 6 e Pagamentos por Serviços Ambientais, esperamos contribuir para soluções de alta integridade que ampliem o financiamento para a conservação e gerem benefícios duradouros para o clima, as florestas e as pessoas”, complementa Cauê.
Uma instância estratégica para a agenda de REDD+ no Brasil
REDD é a sigla para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, enquanto o “+” incorpora ações de conservação, manejo sustentável das florestas e aumento dos estoques de carbono florestal. Criado no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o mecanismo busca incentivar financeiramente países em desenvolvimento por resultados alcançados na redução das emissões associadas ao desmatamento e à degradação das florestas.
No Brasil, a Comissão Nacional para REDD+ (CONAREDD+), instituída pelo Decreto nº 11.548, de 5 de junho de 2023, é responsável por coordenar, acompanhar, monitorar e revisar a Estratégia Nacional para REDD+ (ENREDD+) e contribuir para a definição dos requisitos necessários ao acesso do país a pagamentos por resultados de REDD+.
Entre os temas discutidos pela Comissão estão as salvaguardas socioambientais, a alocação das reduções de emissões, os critérios de elegibilidade e acesso a pagamentos por resultados, além de padrões, metodologias e mecanismos financeiros e de mercado. A CONAREDD+ também pode instituir grupos de trabalho técnicos para aprofundar temas específicos e subsidiar suas decisões.
