Conservação Internacional, ICMBio e MMA promovem oficina sobre zoneamento e conectividade de Áreas Marinhas Protegidas

Encontro reuniu gestores do ICMBio, Marinha do Brasil, Ministério do Meio Ambiente, organizações da sociedade civil e academia para discutir aprimoramentos do processo de zoneamento e os planos de manejo de Unidades de Conservação costeiro marinhas no Brasil

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Encontro reuniu gestores do ICMBio, Marinha do Brasil, Ministério do Meio Ambiente, organizações da sociedade civil e academia para discutir aprimoramentos do processo de zoneamento e os planos de manejo de Unidades de Conservação costeiro marinhas no Brasil

August 21, 2026

Vitória (ES), 21 de agosto de 2026 – Entre os dias 19 e 21 de agosto, a Conservação Internacional (CI-Brasil), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) realizaram, em Vitória (ES), a primeira Oficina sobre Zoneamento e Conectividade de Áreas Marinhas Protegidas. Organizado no contexto do projeto Fortalecimento da Gestão das Grandes Unidades Oceânicas, financiado pela Blue Nature Alliance, o encontro buscou consolidar conhecimentos, experiências e metodologias capazes de subsidiar processos presentes e futuros de zoneamento das Unidades de Conservação (UCs) costeiro marinhas brasileiras.

Além das organizadoras, estiveram presentes representantes da Marinha do Brasil e de universidades e organizações da sociedade civil que atuam com UCs marinhas, aproximando o conhecimento técnico dos tomadores de decisão. Na oficina, os participantes debateram políticas e metas nacionais e internacionais de conservação marinha, o estado da arte dos planos de manejo, ferramentas de priorização espacial para ações de conservação, banco de dados e experiências disponíveis para subsidiar o zoneamento das UCs. A programação também incluiu a apresentação de um panorama de mosaicos de áreas marinhas protegidas e estudos de caso sobre o Banco dos Abrolhos e corais de profundidade dos montes submarinos da Cadeia Vitória-Trindade (CVT).

Um dos destaques foi a apresentação do professor José Angel Alvarez Perez, da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), parceira implementadora do projeto, que apresentou os resultados do estudo Planejamento Sistemático da Conservação (PSC) para a CVT. O trabalho reúne e integra dados inéditos sobre biodiversidade, habitats profundos, usos humanos e custos socioeconômicos para identificar áreas prioritárias para a conservação dos ecossistemas marinhos profundos da região. Além de subsidiar o debate sobre o zoneamento e a conectividade das Áreas Marinhas Protegidas, o estudo oferece uma base técnico-científica robusta para o planejamento de ações de gestão e conservação das Grandes Unidades Oceânicas brasileiras.

“O zoneamento é uma etapa essencial para transformar conhecimento científico em decisões concretas de gestão. Nas áreas marinhas protegidas, esse processo precisa considerar a biodiversidade, os usos do território marinho e os desafios de fiscalização e monitoramento", afirma Sabrina Costa, gerente de projetos do Programa Marinho e Costeiro da CI-Brasil. "Além disso, a dinâmica marinha exige um planejamento na escala da paisagem, inclusive na formação de mosaicos de UCs, que contemple corredores migratórios e a dispersão larval de espécies, garantindo a conectividade horizontal e vertical. Isso permite estabelecer restrições de uso nas diferentes zonas, de forma a salvaguardar a biodiversidade nas zonas pelágica e bentônica, e em diferentes estratos de profundidade", complementa.

“Esta oficina representa um passo importante para qualificar os processos de planejamento e gestão das Unidades de Conservação marinhas brasileiras. Ao reunir gestores, pesquisadores e instituições parceiras, estamos organizando uma base comum de informações que fortalece a tomada de decisão e contribui para o desenvolvimento de zoneamentos e planos de manejo cada vez mais alinhados às características ecológicas e aos desafios de gestão das áreas marinhas protegidas”, destaca Iran Normande, Coordenador de Plano de Manejo de Unidades de Conservação do COMAN/ICMBio.

Zoneamento para orientar a gestão das áreas marinhas protegidas

O zoneamento estabelece diferentes áreas de uso e conservação dentro de uma unidade, considerando suas características ambientais, as atividades realizadas no território e os objetivos definidos para sua gestão. Esse processo permite identificar áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade, organizar atividades como pesca, pesquisa científica e turismo, além de orientar ações de monitoramento e fiscalização.

Por isso, um dos objetivos centrais da oficina foi aproximar conhecimento técnico e decisões de gestão. A proposta foi reunir gestores do ICMBio com experiência acumulada em zoneamento de Unidades de Conservação, especialistas em priorização espacial de áreas marinhas para conservação e instituições que trabalham com bases de dados e metodologias aplicáveis ao planejamento e à gestão das Áreas Marinhas Protegidas.

A participação da Marinha do Brasil também contribuiu para o diálogo sobre monitoramento marítimo e ferramentas de apoio à gestão. Já a presença de universidades e centros de pesquisa reforçou a importância da ciência aplicada na identificação de áreas prioritárias, na compreensão da conectividade ecológica e na definição de estratégias mais eficazes para a conservação marinha.

"O zoneamento das Grandes Unidades Oceânicas depende da integração entre dados científicos, conhecimentos dos setores que atuam no mar e participação social. Esse instrumento, que subsidia o plano de manejo, precisa refletir a diversidade de habitats, que inclui os bancos de corais profundos e as zonas pelágicas, e ao mesmo tempo oferecer informações acessíveis para que os usuários do mar identifiquem facilmente os limites e os regramentos em cada zona. Isso traz clareza jurídica, reduz conflitos, facilita a conformidade e ajuda a conciliar a conservação dos ecossistemas com a sustentabilidade das atividades no mar”, destaca Sabrina.

Fortalecimento das Grandes Unidades Oceânicas

A oficina integra o esforço de fortalecimento da gestão das Grandes Unidades Oceânicas brasileiras, agenda estratégica para ampliar a efetividade da conservação em áreas marinhas de grande escala. Essas unidades têm papel fundamental para a conservação da biodiversidade oceânica, a proteção de ecossistemas vulneráveis e a manutenção de serviços ecossistêmicos essenciais para o clima, a pesca, a ciência e a vida no mar.

A iniciativa também dá continuidade ao ciclo de intercâmbio técnico promovido pela CI-Brasil e pelo ICMBio sobre abordagens para o zoneamento de Áreas Marinhas Protegidas. Em junho, o primeiro seminário técnico do ciclo discutiu experiências internacionais, incluindo o caso da Blue Azores, maior rede de áreas marinhas protegidas do Atlântico Norte, como referência para debater ciência, participação social e governança em processos de zoneamento.

Com a oficina presencial em Vitória, a agenda avança para uma etapa de construção coletiva de recomendações aplicáveis ao contexto brasileiro. A proposta é que os aprendizados, diretrizes e subsídios gerados contribuam não apenas para as Grandes Unidades Oceânicas, mas também para qualificar processos de zoneamento e gestão de Unidades de Conservação marinhas em diferentes regiões do país.

Sobre o projeto

O projeto Fortalecimento da Gestão das Grandes Unidades Oceânicas tem como objetivo apoiar a conservação e o uso sustentável das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e Monumentos Naturais (MONAs) do Arquipélago de São Pedro e São Paulo e das Ilhas de Trindade e Martim Vaz.

Realizada pela Conservação Internacional (CI-Brasil) em parceria com o Núcleo de Gestão Integrada das Grandes Unidades Oceânicas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio da Blue Nature Alliance (BNA), a iniciativa reúne instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil, órgãos governamentais e representantes dos setores que atuam no mar para fortalecer a gestão dessas unidades. As atividades integram ciência aplicada, planejamento e zoneamento marinho, monitoramento, produção de conhecimento, comunicação estratégica e articulação institucional.

O projeto está organizado em frentes complementares, tendo como base a ciência para a tomada de decisão. A iniciativa Frota+Azul: Resiliência Oceânica e da Pesca é voltada ao fortalecimento do monitoramento da atividade pesqueira, pelo desenvolvimento de soluções tecnológicas e produção de subsídios técnicos e jurídicos. Outra frente é voltada para apoiar a construção e a implementação dos planos de manejo e o zoneamento dessas Unidades de Conservação (UCs), decretadas em 2018, por meio da produção de bases técnicas-científicas e intercâmbios de conhecimento para a qualificação dos espaços de diálogo dos conselhos dessas UCs marinhas.

Sob a perspectiva de mar profundo, a iniciativa se dedica à pesquisa científica e ao Planejamento Sistemático da Conservação da ainda desconhecida biodiversidade de corais de águas profundas da Cadeia Vitória Trindade - cordilheira submarina vulcânica com cerca de 1.200 km de extensão no Atlântico Sul - passo fundamental para garantir a proteção desses ecossistemas vulneráveis e subsidiar futuras políticas de conservação marinha na região.