Rio Branco (AC), dezembro de 2025 – Apoiado pelo Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil), o III Encontro da Rede de Sementes do Acre reuniu em dezembro representantes de instituições públicas, privadas, universidades, comunidades coletoras, organizações de pesquisa e órgãos governamentais para debater inclusão produtiva e geração de renda pela rede, responsável por conciliar desenvolvimento socioeconômico e restauração florestal na Amazônia.
Em Cruzeiro do Sul, no noroeste do estado, o encontro aconteceu nos dias 9 e 10 de dezembro e em Rio Branco, capital, de 11 a 13 de dezembro. A iniciativa foi liderada pela Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac) e teve parcerias da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Rio Branco, e do Sebrae.
Durante os eventos, foram promovidos minicursos, rodas de conversa e atividades práticas, com destaque para a valorização dos saberes tradicionais, o fortalecimento da bioeconomia e o papel estratégico das sementes nativas na restauração de paisagens amazônicas degradadas.
A Rede de Sementes do Acre vem sendo fortalecida com o apoio do Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil) por meio de ações estruturantes voltadas à cadeia da restauração no estado.
Pelo projeto, foi realizado o treinamento para agentes de extensão e produtores rurais sobre coleta e melhoramento de sementes, produção de mudas e técnicas de restauração, além do fortalecimento de viveiro, com fornecimento de equipamento e insumos e do apoio a laboratório para melhoramento de sementes de espécies nativas.
Além disso, o projeto também fortalece o viveiro do Estado do Acre, que conta com capacidade de produção de até 1 milhão de mudas por ano e atende o Programa de Regularização Ambiental do Estado, que apoia agricultores familiares a fazerem a adequação ambiental de suas propriedades de acordo com a Lei Estadual nº 3.349/2017, que regulamenta a regularização ambiental de imóveis rurais do estado, e de acordo com Código Florestal, a legislação nacional.
Nesta etapa, o Estado também conta com apoio do projeto. Atualmente, já foram restaurados mais de 190 hectares com sistemas agroflorestais.
Para o coordenador da CI-Brasil, Italo Ferreira, o arranjo demonstra a efetividade da abordagem multisetorial para o escalonamento da restauração no estado. “De um lado temos coletores de sementes gerando renda e de outro produtores rurais, às vezes também coletores, que irão usar essas sementes para se adequarem à lei e assim garantirem a produtividade dada a importância da floresta para a produção na Amazônia, cujos efeitos da crise climática já são sentidos”, comenta.
Italo afirma que o encontro também consolida a participação dos coletores de sementes por um cadastro. “Este encontro busca consolidar a participação dos coletores pela criação de um cadastro de produtores, o que irá permitir avançar na regularização de áreas embargadas e na execução de projetos de restauração, contribuindo para a meta nacional de recuperar 12 milhões de hectares”, destaca.
SOBRE O PAISAGENS SUSTENTÁVEIS DA AMAZÔNIA (ASL BRASIL)
A Amazônia é essencial para a vida no mundo, mas sua paisagem está passando por mudanças que ameaçam seus ecossistemas. Para reverter esse cenário e contribuir com sua conservação e restauração, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, por meio da Secretaria de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBio/MMA), coordena o Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil), executado pela Conservação Internacional (CI-Brasil), pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV Europe), em parceria com órgãos estaduais de Meio Ambiente (OEMAs), órgãos federais responsáveis pela gestão de áreas protegidas e coletivos de governança locais.
O ASL Brasil se insere no Programa Regional ASL, implementado pelo Banco Mundial (BM) e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), que inclui projetos no Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Juntos, essas ações visam melhorar a gestão integrada da paisagem na Amazônia.