Programa Mulheres Indígenas da Amazônia abre inscrições para edição especial com foco em bioeconomia

Chamada oferece quatro bolsas de aproximadamente R$ 53 mil cada para fortalecer iniciativas lideradas por mulheres indígenas no Brasil. Inscrições seguem até 23 de outubro.

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October 9, 2026

Rio de Janeiro (RJ), 9 de outubro de 2026 – Nesta sexta-feira (9), a Conservação Internacional (CI-Brasil), em parceria com a Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), lançou uma nova chamada da 6ª edição do Programa de Mulheres Indígenas da Amazônia. Com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a edição especial é voltada à bioeconomia e apoiará negócios e iniciativas comunitárias liderados por mulheres indígenas que conectem geração de renda, conhecimentos tradicionais e conservação da natureza.

O programa, que também contempla Bolívia, Colômbia e Equador, oferece quatro bolsas para mulheres indígenas da Amazônia brasileira que desejam fortalecer bionegócios locais e familiares.  Manejo sustentável da biodiversidade, agrofloresta, turismo comunitário, artesanato e processamento de produtos estão entre as áreas contempladas.

Cada selecionada no território nacional receberá aproximadamente R$ 53 mil para implementar o projeto proposto ao longo de 12 meses, além de mentoria, formação em liderança e gestão de projetos e oportunidades de intercâmbio entre participantes. O apoio poderá contribuir para aprimorar processos produtivos, agregar valor aos produtos e desenvolver estratégias de gestão, respeitando a organização comunitária e os modos de vida de cada povo.

“Os negócios liderados por mulheres indígenas carregam conhecimentos sobre a floresta, formas de organização coletiva e práticas transmitidas entre gerações. Com esta edição, queremos fortalecer as condições para que essas iniciativas gerem renda, valorizem as culturas de seus povos e ampliem a participação das mulheres nas decisões sobre seus territórios”, afirma Marilena Campos, coordenadora de projetos da Estratégia de Povos Indígenas da CI-Brasil.

As candidaturas podem ser enviadas até 23h59 (horário de Brasília) do dia 23 de outubro de 2026. Acesse o edital completo clicando aqui.

Como se inscrever

Para participar, as candidatas devem ler atentamente ao edital, preencher o formulário de inscrição e encaminhá-lo com os anexos solicitados aos endereços indicados: liderancasBR@conservation.org, consultant.rcunha@conservation.org, mcampos@conservation.org, mferreira@conservation.org e amsilva@conservation.org.

O formulário está disponível em dois formatos:

Para esclarecer dúvidas sobre os critérios, os documentos e o processo de candidatura, será realizada uma reunião virtual em 16 de outubro, às 14h, no horário de Brasília. A participação é facultativa. Dúvidas também podem ser encaminhadas para liderancasBR@conservation.org.

Clique aqui para acessar a reunião de esclarecimento de dúvidas

Consulte o edital, prepare sua proposta e envie sua candidatura até 23 de outubro.

Quem pode participar

Podem se candidatar mulheres indígenas da Amazônia brasileira que representem um negócio ou uma iniciativa comunitária voltada para mulheres indígenas. As propostas devem ser desenvolvidas no bioma Amazônia, em território brasileiro, e implementadas em territórios indígenas ou demonstrar vínculo direto com esses territórios e suas comunidades.

A iniciativa deve manter atividades produtivas em funcionamento e ter experiência na comercialização de seus produtos, mesmo em pequena escala, por encomenda, em feiras, nas comunidades ou pelas redes sociais. Também deve utilizar matérias-primas de origem legal e não estar vinculada ao desmatamento, à degradação ambiental ou à exploração irregular de recursos naturais.

O edital contempla cinco áreas prioritárias:

  • Manejo sustentável da biodiversidade: iniciativas com frutos, sementes, resinas, pesca tradicional e criação de abelhas sem ferrão, entre outras.
  • Agricultura tradicional, agrofloresta e sistemas agroecológicos: práticas que combinam produção de alimentos, conhecimentos locais e conservação.
  • Turismo e serviços de base comunitária: hospedagem, gastronomia, visitas guiadas e experiências culturais conduzidas pelas comunidades.
  • Arte e artesanato indígena: produção de cestarias, tecidos, cerâmicas, adornos e outras expressões vinculadas à identidade cultural e ao uso sustentável dos recursos.
  • Agroindustrialização e inovação: melhoria do processamento e da comercialização de produtos, incluindo alimentos, biocosméticos e produtos relacionados à medicina tradicional.

Na avaliação, serão considerados aspectos como a clareza da proposta, o uso sustentável dos recursos naturais, o fortalecimento das mulheres e da comunidade e a valorização dos conhecimentos tradicionais e da identidade indígena.

Após a verificação dos requisitos mínimos e a primeira avaliação pela CI-Brasil, oito candidaturas seguirão para análise de uma comissão de ex-bolsistas do programa, responsável pela classificação final. Serão selecionadas as quatro candidatas mais bem classificadas que tiverem suas informações confirmadas.

Apoio financeiro, formação e intercâmbio

Além dos recursos para executar as propostas, as selecionadas contarão com acompanhamento de mentoria para desenvolver suas habilidades de liderança e gestão. O programa também promoverá encontros para compartilhar experiências e fortalecer redes entre mulheres indígenas e instituições parceiras.

A programação prevê um intercâmbio em Brasília, de 24 a 26 de novembro de 2026. A divulgação do resultado da seleção está prevista para 9 de novembro, e as atividades das bolsistas seguirão até novembro de 2027.

Programa Mulheres Indígenas da Amazônia

O Programa de Mulheres Indígenas da Amazônia, promovido pela Conservação Internacional em parceria com a Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), nasceu em 2021 com o apoio do Governo da França. Desde então, 144 bolsas contribuíram para impulsionar projetos liderados por mulheres indígenas voltados à conservação e ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. O Brasil é um dos sete países que integram o programa.

Em 2026, o programa inicia uma nova etapa, incorporando pela primeira vez um enfoque específico em bioeconomia, por meio de uma edição especial que conta com o apoio do programa Amazônia Sempre do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID). Esta edição apoiará dezesseis bioempreendimentos liderados por mulheres indígenas na Bolívia, Brasil, Colômbia e Equador. Também serão apoiadas cinco bolsas regionais voltadas à incidência política.

O Programa oferecerá financiamento, acompanhamento técnico e intercâmbio de experiências para fortalecer empreendimentos que contribuam para o uso sustentável da biodiversidade e para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.