Rio de Janeiro (RJ), 14 de outubro de 2026 – A restauração depende do momento, da quantidade e da distribuição das chuvas. Em condições mais quentes e secas, o planejamento da coleta de sementes, a produção de mudas e os plantios precisam de ajustes para reduzir perdas e favorecer a recuperação da vegetação. Para apoiar esse trabalho diante do El Niño intenso deste ano, a Conservação Internacional (CI-Brasil) e o Dispersar — Programa Nacional de Formação Inicial e Continuada em Restauração de Ecossistemas, uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE), promovem a série de tutorias remotas “Adaptando rotinas de trabalho para restauração ecológica frente ao El Niño”.
Os encontros acontecerão em 15 e 29 de outubro e 12 de novembro, sempre das 19h às 21h, no horário de Brasília, pelo Google Meet. A programação é voltada a viveiristas, coletores de sementes, equipes de campo e profissionais da restauração, com orientações práticas sobre produção de sementes e mudas, cuidados nos plantios e prevenção ao fogo.
“Adaptar a restauração ao El Niño exige traduzir as informações climáticas em decisões nos viveiros e no campo. Isso envolve rever o calendário de coleta e plantio, ajustar o uso da água e reforçar a prevenção ao fogo, considerando as condições de cada território. Com as tutorias, queremos apoiar quem realiza esse trabalho no dia a dia, compartilhando conhecimentos que ajudem a reduzir perdas e sustentar os resultados da restauração para a natureza e as pessoas”, afirma Viviane Figueiredo, gerente de restauração da Amazônia da CI-Brasil.
Por que adaptar a restauração ao El Niño?
O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial, que altera os padrões de chuva e temperatura. Na Amazônia, especialmente nas porções norte e leste, costuma estar associado a condições mais secas e quentes. Seus efeitos, porém, variam conforme o território, exigindo respostas adequadas à disponibilidade de água, ao solo e à vegetação de cada área.
Para a restauração, os primeiros meses após o plantio são especialmente sensíveis: com raízes ainda pouco desenvolvidas, as mudas podem não conseguir acessar água suficiente durante uma estiagem intensa. O calor e a falta de chuva também deixam a vegetação mais suscetível à propagação do fogo, embora o fenômeno não provoque diretamente os incêndios.
“Incorporar essas condições ao planejamento ajuda a sustentar os benefícios da restauração como uma Solução Baseada na Natureza (SBN) para o enfrentamento da crise climática e da crise da biodiversidade e amplia a resiliência da própria floresta amazônica frente aos impactos climáticos”, destaca Viviane.
Leia mais sobre os impactos do El Niño na Amazônia e os caminhos para a restauração.
Confira a programação e participe
15 de outubro | 19h às 21h — Cuidados na produção de sementes e mudas nativas
O primeiro encontro abordará planejamento da coleta de sementes, irrigação, adubação e organização das operações nos viveiros. Participarão Marina Sousa, engenheira ambiental, mestre em Ciências Ambientais e coordenadora de Operações na Silva Brasil, e Edézio Miranda, engenheiro florestal e especialista em restauração ecológica, que atua na Agroicone com restauração e fortalecimento de redes de sementes nativas.
Acesse a sala virtual do primeiro encontro
29 de outubro | 19h às 21h — Cuidados com o plantio no campo
Orientações sobre preparo do solo e plantio para reduzir a mortalidade de mudas e favorecer o estabelecimento da vegetação nas áreas em restauração.
Acesse a sala virtual do segundo encontro
12 de novembro | 19h às 21h — Prevenção e combate ao fogo
Orientações sobre construção de aceiros e mapeamento de brigadas de combate a incêndios, apoiando o planejamento das ações de prevenção e resposta nos territórios.
Acesse a sala virtual do terceiro encontro
Todos os encontros seguem o horário de Brasília. Compartilhe a programação com profissionais e organizações que atuam na restauração.
