Oficina reúne organizações executoras do Restaura Amazônia para fortalecer restauração em Terras Indígenas e Unidades de Conservação

Encontro em Belém promoveu integração e alinhamento técnico, financeiro e de comunicação entre organizações selecionadas nos Editais 1, 3 e 4 da iniciativa que, juntas, vão restaurar mais de 2,8 mil hectares no Pará e Maranhão

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September 11, 2026

Belém (PA), 11 de setembro de 2026 – A Conservação Internacional (CI-Brasil) realizou, entre os dias 09 e 11 de setembro, em Belém (PA), a Oficina de Integração e Capacitação do Restaura Amazônia, voltada às organizações selecionadas nos Editais 1, 3 e 4 da iniciativa. O encontro reuniu representantes das áreas técnica, financeira, contratos e comunicação das instituições e da CI-Brasil, com o objetivo de fortalecer capacidades organizacionais para a restauração de mais de 2,8 mil hectares de áreas degradadas no Pará e Maranhão, principalmente em Terras Indígenas (TIs) e Unidades de Conservação (UCs).

O encontro marcou o início dos trabalhos conjunto entre as parcerias e promoveu o alinhamento de processos importantes para a implementação dos projetos. Ao longo da programação, foram abordados temas como planos de restauração, gestão financeira e prestação de contas, salvaguardas socioambientais e comunicação, além de espaços para troca de experiências e esclarecimento de dúvidas.

Para Viviane Figueiredo, gerente de projetos da Amazônia da CI-Brasil, iniciar os trabalhos de forma integrada é especialmente relevante diante da importância e das particularidades das TIs e UCs presentes na maior floresta tropical do mundo:

“Essas áreas são fundamentais para a Amazônia, mas têm realidades diferentes. Nas Unidades de Conservação, a recuperação de áreas estratégicas vai contribuir para ampliar a conectividade da paisagem e fortalecer a resiliência de regiões que funcionam como núcleos de biodiversidade. Já trabalhar em parceria com os povos originários vai muito além de reconhecer seu papel central na conservação da floresta: significa valorizar os conhecimentos e apoiar o fortalecimento dos territórios diante das ameaças cotidianas", destaca a gerente. “A oficina cria uma base comum para que projetos executados em contextos distintos avancem com alinhamento técnico e institucional, ao mesmo tempo que integra esses esforços de restauração em benefício da Amazônia como um todo”, complementa.

Participaram do encontro representantes de Cooperativa Mista de Trabalho: Prestação de Serviços e Produção (CANTEIROS), Associação Conservação da Vida Silvestre (WCS Brasil), Associação dos Moradores da Resex do Xingu (AMOMEX), Fundação Sousândrade de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal do Maranhão (FSADU), Instituto Socioambiental (ISA), Associação Extrativista do Rio Kabitutu Wuyxaximã (ASERK), Associação Indígena Berê Xikrin da TI Bacajá e Instituto Brasileiro dos Recursos Ambientais e Assessoria Rural (IBRAMAR), organizações que vão atuar em diferentes territórios dos dois estados amazônicos.

“Acho que o principal ganho da oficina foi perceber que temos uma rede de apoio com a qual poderemos contar. Foi saber que existe uma equipe estruturada para nos apoiar ao longo do processo, a quem poderemos recorrer diante dos desafios e das adaptações que forem necessárias”, afirma Kelly Besen, coordenadora-geral do projeto de restauração em TI da Associação Indígena Berê Xikrin.

A programação também contou com profissionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), instituições responsáveis pelo Restaura Amazônia, além de representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) - que colaboram, respectivamente, nos editais focados em UCs e TIs.

Integração para fortalecer a execução nos territórios

A oficina foi estruturada para apoiar as organizações executoras desde o início da implementação dos projetos, conectando as diferentes frentes necessárias para que as ações avancem nos territórios.

Nas atividades relacionadas aos planos de restauração, as equipes discutiram aspectos para orientar o planejamento e a execução das intervenções de acordo com as características de cada área. A programação também abordou procedimentos de gestão financeira e prestação de contas, criando referências comuns para o acompanhamento das ações e dos recursos.

As salvaguardas socioambientais integraram as discussões, considerando a importância de incorporar direitos, participação e especificidades sociais e culturais ao desenvolvimento dos projetos, especialmente nas ações realizadas com povos indígenas e comunidades locais.

Já a frente de comunicação buscou alinhar fluxos de trabalho entre a CI-Brasil e as organizações executoras e discutir formas de registrar e comunicar os resultados construídos nos territórios, valorizando as pessoas, os conhecimentos locais e as parcerias que tornam a restauração possível.

“A gente foi entendendo que o fluxo de processos é complexo, mas, ao mesmo tempo, simples. Desde que consigamos estabelecê-los dentro da nossa instituição e na atuação como pesquisadores, vamos conseguir conduzi-los de forma muito mais simples do que em outros projetos que já executamos", afirma Adriani Haas, da FSADU – executora do Edital 1, voltado às UCs. "A reunião resolveu muitas dúvidas que a gente tinha, foi superimportante”, complementa.

Assim como nas oficinas anteriores realizadas com os outros parceiros do edital 3 - Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Fundação Guamá, Associação Indígena Tato'a e Associação Bebô Xikrin da TI Trincheira Bacajá (ABEX) - e com as organizações do edital voltado aos assentamentos rurais, a proposta era que o alinhamento inicial também funcionasse como espaço de troca. Cada organização chegou à iniciativa com experiências, conhecimentos e relações já construídas nos territórios, que podem contribuir para aprimorar a implementação de todo o Restaura Amazônia.

Restauração para fortalecer Terras Indígenas e Unidades de Conservação

Terras Indígenas e Unidades de Conservação têm características, formas de gestão e relações sociais distintas, mas cumprem papéis estratégicos e complementares para a conservação da Amazônia. A restauração nesses territórios precisa combinar recuperação da vegetação com valorização das pessoas e organizações que conhecem e manejam essas paisagens.

As Terras Indígenas estão entre as áreas mais conservadas da Amazônia e apresentam alguns dos menores índices de desmatamento da região. Ao mesmo tempo, parte dessas terras foi impactada por invasões e atividades ilegais, deixando áreas desmatadas que precisam ser recuperadas. Nesse contexto, a restauração também contribui para que os povos originários construam e implementem soluções a partir de seus conhecimentos e prioridades, de forma a valorizar seus modos de vida e ampliar a proteção de seus territórios.

Já a restauração das Unidades de Conservação contribui para fortalecer a resiliência de zonas que funcionam como núcleos de biodiversidade na paisagem amazônica. A recuperação em áreas estratégicas favorece a conectividade entre fragmentos de vegetação e a criação de corredores florestais, fortalecendo funções ecológicas importantes para os ecossistemas responderem aos impactos da crise do clima e da biodiversidade.

A restauração nessas regiões ainda busca fomentar oportunidades para atores e organizações que participam da cadeia da restauração, como viveiristas e coletores de sementes. Assim, a recuperação da vegetação se conecta ao fortalecimento das pessoas que vivem, trabalham e contribuem para a conservação desses territórios.

"A oficina conecta justamente essas diferentes experiências. Ao reunir organizações que atuarão em Terras Indígenas e Unidades de Conservação, algumas nos mesmos territórios, o Restaura Amazônia amplia a troca de saberes, fomenta a construção de soluções colaborativas e fortalece uma rede de apoio mútuo sem perder de vista as características ecológicas, sociais e culturais de cada área", destaca Viviane.

Sobre o Restaura Amazônia

A iniciativa do BNDES, realizada em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e financiada com recursos do Fundo Amazônia e Instituições Apoiadoras, vai restaurar 15 mil hectares de vegetação nativa nos estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão.

O foco de atuação é em áreas estratégicas como o Arco do Desmatamento, visando transformá-lo em um Arco da Restauração. A Conservação Internacional (CI-Brasil) é uma das parceiras gestoras da iniciativa e coordena os esforços de restauração nos estados do Pará e Maranhão.