Oficina reúne organizações executoras do Restaura Amazônia para fortalecer restauração de assentamentos rurais no bioma

Encontro em Belém promoveu alinhamento técnico, financeiro e de comunicação entre organizações executoras selecionadas no Edital 2 da iniciativa, voltada à restauração de mais de 1,3 mil hectares no Pará e Maranhão

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May 21, 2026

Belém (PA), 21 de maio de 2026 –  A Conservação Internacional (CI-Brasil) realizou, entre os dias 19 e 21 de maio, em Belém (PA), a Oficina de Integração e Capacitação do Restaura Amazônia, voltada às organizações selecionadas no Edital 2 da iniciativa. O encontro reuniu representantes das áreas técnica e financeira das organizações executoras, além das equipes técnica, financeira, de contratos e de comunicação da CI-Brasil, com o objetivo de fortalecer capacidades organizacionais para a restauração de mais de 1,3 mil hectares de áreas degradadas no Pará e Maranhão, principalmente em assentamentos rurais.

Durante os três dias de oficina, as organizações Cooperativa Alternativa dos Pequenos Produtores do Alto Xingu (CAMPPAX), Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Fundação Solidaridad e Ambiental Pesquisas e Projetos participaram de atividades voltadas ao alinhamento institucional, à troca de experiências e à capacitação em temas essenciais para a implementação dos projetos. A programação incluiu treinamentos sobre comunicação, contratos, gestão financeira, planos de restauração, indicadores, geoprocessamento, monitoramento e uso de ferramentas de gestão.

“A restauração em assentamentos é importante para conectar conservação da natureza, produção sustentável e melhoria das condições de vida de famílias rurais. A oficina marca um passo importante para que as organizações executoras iniciem seus projetos com segurança técnica, capacidade de gestão e atividades alinhadas, além de gerar integração entre atores locais”, destacou Viviane Figueiredo, gerente da Amazônia da CI-Brasil. “Fortalecer uma atuação territorial integrada contribui não apenas para as metas dos projetos, mas para metas estaduais e nacionais de restauração, como a prevista no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg). Essa articulação é essencial para estruturar a restauração de forma permanente, garantindo benefícios duradouros para as pessoas e a natureza”, complementa.

Luan Costa, assessor técnico do ISPN, concorda que a integração proposta é valiosa para ampliar o impacto: “Foi uma oportunidade de compartilhar informações, experiências, ideias e processos que cada parceiro já vem desenvolvendo em suas estratégias. Essa troca ajuda a multiplicar atores, aproximar iniciativas e fortalecer o caminho para escalar a restauração”.

O Edital 2 do Restaura Amazônia foi viabilizado a partir da colaboração entre a CI-Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

Integração para fortalecer a execução nos territórios

A oficina foi estruturada para apoiar as organizações executoras desde o início da implementação dos projetos. No primeiro dia, a programação apresentou as perspectivas do Restaura Amazônia no Pará e Maranhão, com participação de representantes da CI-Brasil, BNDES, MDA e MMA, além de uma apresentação geral das iniciativas selecionadas.

“Essa semana foi muito importante para conhecer e reconhecer os parceiros que vão compartilhar áreas e atuam conosco na Amazônia. A troca de experiências e de conhecimentos é extremamente rica para que possamos tornar esse projeto realmente efetivo”, destacou Sara Poletto, diretora executiva da Ambiental Pesquisas e Projetos.

A agenda também incluiu um módulo de comunicação voltado ao alinhamento das regras do projeto, à identificação das histórias que serão contadas em conjunto e à definição de fluxos de trabalho entre a CI-Brasil e as organizações executoras. A proposta é fortalecer a visibilidade dos resultados nos territórios, valorizando as pessoas, os saberes locais e as parcerias que tornam a restauração possível.

No segundo dia, as atividades foram divididas entre treinamentos de contratos, ferramentas de gestão, temas financeiros e módulos técnicos. As organizações participaram de orientações sobre documentação, preenchimento de planilhas, elaboração de planos de restauração, relatórios de progresso, indicadores, boas práticas de geoprocessamento, guia de monitoramento e apresentação de ferramentas de acompanhamento.

O último dia foi dedicado a uma dinâmica em formato de open space, com mesas temáticas sobre aspectos técnicos, comunicação e gestão financeira. O formato permitiu que os participantes circulassem entre diferentes áreas, aprofundassem dúvidas e construíssem soluções de forma colaborativa com as equipes da CI-Brasil.

“A oficina foi muito boa porque este é um edital complexo, com múltiplos atores envolvidos. Além de tirar dúvidas, tivemos a oportunidade de conhecer melhor as ações de outros parceiros. Cada organização traz sua trajetória, sua formação e sua experiência. Esse alinhamento nos dá mais tranquilidade e firmeza para implementar o que estamos propondo junto às famílias em campo”, comentou Leonardo Dutra, coordenador de projetos da Fundação Solidaridad.

Restauração como caminho para produção sustentável

A recuperação de áreas degradadas em assentamentos rurais é uma das frentes estratégicas do Restaura Amazônia. Por meio de Soluções Baseadas na Natureza (SBN), como a restauração produtiva, os projetos selecionados buscam recuperar áreas degradadas, ampliar a geração de renda, valorizar conhecimentos dos territórios e criar condições para que a floresta em pé gere benefícios concretos para as pessoas e para a natureza.

Solange Feitosa, administradora da CAMPPAX, ressalta o impacto da iniciativa para o território: “Em São Félix do Xingu, nossa cooperativa trabalha com mais de 230 famílias cooperadas e alcança até 300 famílias na região. Para a CAMPPAX, o Restaura Amazônia não fala apenas de reflorestamento: ele traz impacto social para a nossa comunidade. O projeto chega diretamente aos produtores, gera renda e fortalece o cuidado com a floresta. Não há como conservar sem cuidar de quem cuida da floresta”.

Essa atuação também contribui para a mitigação, por meio da recuperação da vegetação nativa, e para a adaptação, ao fortalecer sistemas produtivos mais diversos e incorporar tecnologias sociais que ampliam a resiliência dos territórios diante da crise climática e da crise da biodiversidade.

“Em Açailândia, temos o objetivo de restaurar 250 hectares, principalmente com restauração produtiva e tecnologias sociais para o reuso de água. Essa abordagem inovadora no território tem muito a contribuir para a resiliência das comunidades, para o resultado prático da restauração e para o ganho de escala dessas ações no Maranhão. Em um ano marcado pela previsão de um El Niño intenso e por impactos sobre diferentes setores econômicos, as tecnologias sociais ajudam a tornar as ações de restauração mais resilientes e adaptadas ao contexto de mudanças climáticas e eventos extremos”, afirma Joaquim Freitas, coordenador geral do Cepan.

Sobre o Restaura Amazônia

A iniciativa do BNDES, realizada em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e financiada com recursos do Fundo Amazônia e Instituições Apoiadoras, vai restaurar 15 mil hectares de vegetação nativa nos estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão.

O foco de atuação é em áreas estratégicas como o Arco do Desmatamento, visando transformá-lo em um Arco da Restauração. A Conservação Internacional (CI-Brasil) é uma das parceiras gestoras da iniciativa e irá coordenar os esforços de restauração nos estados do Pará e Maranhão.

“Hoje, estamos diante de uma região conhecida historicamente como Arco do Desmatamento. O Restaura Amazônia representa um passo importante para transformar esse território em um Arco da Restauração. Para isso, é necessário firmar parcerias estratégicas, como a colaboração entre BNDES e CI-Brasil. A atuação da organização é fundamental para o êxito dessa agenda, pela sua experiência, capacidade de articulação com entidades executoras e atuação próxima aos territórios”, destaca Nelson Tortosa, representante do BNDES.