Carauari (AM), 22 de maio de 2026 – O Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil) concluiu a instalação de uma fábrica de gelo e de uma câmara fria no entreposto de pescado da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), em Carauari, no Amazonas. A nova estrutura fortalece o manejo sustentável do pirarucu no Médio Juruá, uma das principais cadeias da sociobiodiversidade amazônica.
A fábrica tem capacidade de produzir até 12 toneladas de gelo por dia, enquanto a câmara fria permite armazenar até 100 toneladas de pescado. A estrutura passa a atender uma cadeia produtiva formada por 282 famílias, em 47 comunidades, alcançando diretamente mais de 1 mil manejadores e manejadoras.
O investimento contribui para reduzir perdas, melhorar a qualidade do pescado e ampliar as condições de comercialização do pirarucu manejado. Em uma região onde o deslocamento entre Manaus e Carauari pode levar até sete dias de viagem com embarcações regionais, produzir gelo localmente reduz a dependência de fornecedores externos e fortalece a autonomia das comunidades.
Para Bruna Alves, coordenadora de projetos da Conservação Internacional (CI-Brasil), o investimento em infraestrutura fortalece a cadeia produtiva do pirarucu manejado, criando melhores condições para que a atividade gere mais valor nos territórios.
“A instalação da fábrica de gelo e da câmara fria responde a um desafio concreto da cadeia do pirarucu no Médio Juruá: garantir melhores condições de conservação e armazenamento do pescado manejado. Esse tipo de infraestrutura amplia a autonomia das comunidades, reduz perdas e potencializa acesso aos mercados, fortalecendo uma economia baseada no uso sustentável dos recursos naturais, conectando conservação da natureza, segurança alimentar e geração de renda”, afirma.
Manejo com organização comunitária
O manejo do pirarucu no Médio Juruá é resultado de mais de duas décadas de mobilização social. A atividade envolve o estabelecimento de regras de manejo, a vigilância dos ambientes aquáticos, o monitoramento dos estoques pesqueiros, a pesca baseada em cotas, beneficiamento e a comercialização. Esse modelo contribui para recuperar estoques pesqueiros, fortalecer a governança local e gerar renda a partir de uma atividade compatível com os rios conservados.
Quilvilene Figueiredo da Cunha, diretora da ASPROC, destaca que a chegada da fábrica representa mais do que um avanço logístico: “o rio Juruá é um dos mais sinuosos do mundo e, em cada curva, existem histórias de luta e de resistência. Parcerias como esta criam condições para melhorar a qualidade de vida e fortalecer a permanência das comunidades em seus territórios”, destacou.
A cadeia do pirarucu também tem ampliado a participação de mulheres em diferentes etapas, como beneficiamento, organização comunitária e comercialização. Com melhores condições de armazenamento e conservação, a infraestrutura fortalece esses papéis e contribui para dar mais estabilidade à produção local.
Impulsionando cadeias sustentáveis
O investimento na infraestrutura integra a estratégia do ASL Brasil de fortalecer cadeias produtivas sustentáveis baseadas na sociobiodiversidade em territórios amazônicos. O projeto buscou valorizar modos de vida, gerar renda e apoiar o ordenamento do uso dos recursos naturais em áreas estratégicas para a conservação da natureza.
“O apoio ao entreposto da ASPROC é parte da estratégia do Projeto ASL Brasil em fomentar a conservação e o protagonismo local, por meio do manejo sustentável de recursos naturais e do fortalecimento de coletivos locais de governança territorial em áreas de manejo integrado da paisagem, como o Sítio Ramsar Juruá.” conclui Henrique Santiago, coordenador técnico do projeto ASL Brasil.
Em um contexto em que a crise climática e a crise da biodiversidade já impactam territórios amazônicos, o manejo sustentável do pirarucu mostra como Soluções Baseadas na Natureza podem fortalecer adaptação, segurança alimentar, geração de renda e conservação dos ecossistemas aquáticos. No Médio Juruá, conservar a natureza passa também por garantir condições para que comunidades sigam vivendo em seus territórios e fortalecendo seus modos de vida, que sustentam os rios e a floresta.
Sobre o ASL Brasil
O Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil) é uma iniciativa do governo federal em parceria com governos estaduais, que tem avançado na promoção da conservação e do desenvolvimento sustentável na Amazônia.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, por meio da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBIO/MMA), coordena o Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil), executado pela Conservação Internacional (CI-Brasil), Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e Fundação Getulio Vargas (FGV Europe), em parceria com órgãos estaduais de Meio Ambiente (OEMAs) e órgãos federais responsáveis pela gestão de áreas protegidas.
O ASL Brasil se insere no Programa Regional ASL, implementado pelo Banco Mundial (BM) e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), que inclui projetos no Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. Juntos, visam melhorar a gestão integrada da paisagem na Amazônia.
