March 6, 2026

Brasil cria Parque Nacional Marinho do Albardão e avança na meta global 30x30

Nova unidade de conservação no litoral do Rio Grande do Sul protege ecossistemas costeiros importantes para a biodiversidade marinha

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Brasília (DF), 06 de março de 2026 - A Presidência da República decretou na última sexta-feira, 6 de março, a criação do Parque Nacional do Albardão (PARNA), uma unidade de conservação de proteção integral, permitindo apenas o uso indireto dos recursos naturais, como pesquisa científica, educação ambiental e visitação pública controlada, e a Área de Proteção Ambiental (APA), outra categoria que permite a utilização da área e dos recursos pesqueiros sob plano de manejo.

Com cerca de 1.004.480 hectares, o Parque se torna a maior unidade de conservação marinha do Brasil com finalidade de proteção integral. Localizada no município de Santa Vitória do Palmar, no litoral sul do Rio Grande do Sul. Somado à APA, que possui 55.983 hectares, as novas unidades de conservação protegem uma das regiões costeiro-marinhas mais importantes do Atlântico Sudoeste e fortalece os esforços do país para enfrentar simultaneamente as crises do clima e da biodiversidade.

A medida também contribui para o avanço das metas globais de conservação, incluindo o compromisso internacional de proteger 30% das áreas terrestres e marinhas até 2030, conhecido como meta 30x30.  A criação do PARNA e APA do Albardão protege habitats essenciais para o ciclo de vida de muitas espécies marinhas e ecossistemas naturais de relevante valor ecológico, paisagístico, paleontológico, socioeconômico e científico, assegurados a conservação da biodiversidade, os processos ecológicos e os serviços ecossistêmicos associados, incluídos os recursos pesqueiros e as espécies ameaçadas de extinção.

O processo de criação do parque mobiliza pesquisadores, organizações da sociedade civil, comunidades e instituições públicas há mais de 20 anos, consolidando um esforço coletivo baseado em ciência, diálogo e participação social.

A Conservação Internacional (CI-Brasil) colaborou com informações que ajudaram a qualificar o debate sobre a criação e o desenho da unidade de conservação junto a parceiros e o governo.

Um território essencial para a biodiversidade marinha

A região do Albardão abriga uma combinação rara de ambientes naturais da região costeira do sul do Brasil, incluindo campos de dunas, lagoas costeiras, praias arenosas e áreas marinhas associadas. Esses ecossistemas desempenham papel fundamental para o ciclo de vida de diversas espécies marinhas e costeiras.

Estudos científicos realizados durante a criação do PARNA indicam que a região abriga 24 espécies ameaçadas de tubarões e raias, além de cinco espécies de tartarugas marinhas, um pequeno cetáceo conhecido popularmente como ‘toninha’ (Pontoporia blainvillei), criticamente ameaçado de extinção, além de uma grande diversidade de aves marinhas e costeiras. Além da biodiversidade, o Albardão abriga o sítio paleontológico das Dunas do Albardão, reconhecido pela Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos, reforçando o valor científico da região.