Dubai, 8 de dezembro de 2023 - Durante a tarde da última sexta-feira da COP28 (08), em Dubai, a agricultura sustentável voltou a ser debate pautado pela CI-Brasil. Segurança alimentar, cadeias produtivas, paisagens regenerativas e adaptação climática foram os temas apresentados no evento paralelo “DIÁLOGOS ENTRE SOLOS: Agricultura, segurança alimentar e ação climática” realizado no Pacto Global Rede Brasil, no Dubai Multi Commodities Center (DMCC).
A agricultura para o futuro é uma agricultura que minimiza externalidades negativas e canaliza esforços e investimentos para garantir impactos positivos em nível da paisagem, isso é como a CI-Brasil enxerga as ações para a segurança alimentar em convergência com as Soluções Baseadas na Natureza. Qualquer ação que conserve, restaure ou melhore o uso ou manejo de ecossistemas ao mesmo tempo em que aumenta o armazenamento de carbono e evita as emissões de gases de efeito estufa, pode ser considerada uma Solução Baseada na Natureza. E isso inclui as culturas e as técnicas de manejo do solo e produção alimentos.
Para Miguel Mores, Diretor Sênior de Programas da CI-Brasil, a realidade é que a agricultura do futuro só existirá em consequência das ações que a humanidade pratica no agora. “Nós não temos mais tempo para essa esgrima de retóricas. Perda de vegetação nativa é perda de vegetação nativa, sendo ela legal ou ilegal. A agricultura do futuro é uma agricultura que assuma responsabilidade e protagonismo no contexto da transformação ecológica. Que desbrave caminhos para assegurar a produtividade da terra, em propriedades privadas. Seja a produtividade agrícola, seja a produtividade primária dos ecossistemas naturais”.
A junção da ciência, com agricultura e clima foi pautada. André Cerre, professor da ESALQ-USP, alertou que a agricultura possui um papel importante na remissão mas também precisa ser mais atuante na remoção do carbono. “Eu concordo que agricultura e silvicultura são parte da solução, mas isso é só parte. A recuperação de pastagens degradadas, por exemplo, me preocupa pois não temos números oficiais sobre as pastagens no Brasil. Vamos dizer que a metade da pastagem esteja degradada, pastagem restaurada tem um potencial grande também de captação”.
A CI-Brasil acredita que é possível manejar o uso dos recursos naturais de forma sustentável, baseado em modelos capazes de conciliar conservação, produção e o bem estar das pessoas.
Por esse motivo, a meta da CI-Brasil é aprimorar a gestão do uso do solo em 500 mil hectares até 2025. Para isso acontecer, a organização atua com o setor privado, governos, produtores e organizações locais para garantir arranjos de colaboração pré-competitiva com impacto positivo na paisagem.
A representante da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, Laura Lamonica, ressaltou a importância de colocar a agricultura como parte solução de enfrentamento da crise climática, garantindo a segurança alimentar. “A segurança alimentar precisa caminhar junto com o emprego e renda. Esse enfoque nas pessoas deve ser priorizado e precisamos viabilizar alternativas econômicas para essa transição”.
A participação das populações tradicionais nos debates de seus territórios foi pontuada pelo gerente de Bioeconomia do Instituto Arapyaú. “Precisamos ter uma visão única de país e isso embarca quem está lá. Essas pessoas precisam ser ouvidas e precisamos dedicar um tempo, de fato, para incluí-las na agenda”, aponta Vinícius Ahmar.
”Vamos ter que coordenar esforços em nível de paisagem. Vamos ter que alinhar políticas e reguamentações subnacionais. Vamos precisar de menos competição e muito mais arranjos de colaboração pré-competitiva. Nada disso vai ser possível se cada um de nós continuar a achar que a mudança é externa. Não importa se você é agricultor ou agricultora, se você trabalha em uma associação de produtores locais, em uma ONG, em uma grande trader, ou em um banco de investimentos”, finaliza Miguel Moraes.