[CI-Brasil na COP30] Conservação Internacional reúne Gilberto Gil, Cacique Raoni e Sônia Guajajara em encontro histórico

Encontrou celebrou anúncio de compromisso global de US$ 1,8 bilhão para povos indígenas e comunidades locais até 2030

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November 12, 2025

Belém (PA), 11 de novembro de 2025 - A Conservação Internacional recebeu nesta terça-feira, 11 de novembro, o Cacique Raoni, a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, o cantor Gilberto Gil e a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg, em um evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), na Casa Maraká, espaço da Mídia Indígena.

O encontro “Vozes da Sabedoria: conectando cultura e conservação”, que também contou com a presença de Mauricio Bianco, vice-presidente da Conservação Internacional (CI-Brasil) e de Daniela Raik, CEO interina Conservação Internacional, celebrou o anúncio de investimentos de US$ 1,8 bilhão para impulsionar ações climáticas e de biodiversidade lideradas por povos indígenas e comunidades tradicionais em todo o mundo até 2030.

Chamado Compromisso para Posse da Terra e das Florestas 2.0, o novo investimento dá continuidade a um pacto firmado na COP26 para apoiar os direitos de posse de terras de povos indígenas e comunidades locais, contribuindo para conter o desmatamento e a degradação ambiental até 2030.

“Reconhecemos que os povos indígenas são os guardiões da Amazônia. Esse reconhecimento deve vir acompanhado do financiamento necessário para que possam manter seus territórios saudáveis. Não podemos enfrentar a crise climática sem a participação ativa deles. Na Conservação Internacional, estamos comprometidos em contribuir para que isso se torne uma realidade — contribuindo para colocar os recursos no lugar certo, nas mãos das pessoas que já estão protegendo a natureza”, afirmou Raik.

A Conservação Internacional também uma das organizações participantes do compromisso e que celebrou a renovação do acordo.

No Brasil, um dos exemplos de trabalho colaborativo da Conservação Internacional com povos indígenas e comunidades locais é o Fundo Kayapó, que desde 1990 apoia a governança indígena e a proteção de 9 milhões de hectares de floresta tropical.

Durante o evento, o Cacique Raoni, da etnia Kayapó e uma das maiores lideranças indígenas do país, reforçou a importância da união dos povos indígenas. “Temos que estar juntos, pensar juntos, com o objetivo único de nos defender”, declarou. Ele também destacou a relevância dos recursos destinados à proteção das terras indígenas: “É uma alternativa para acabar com atividades que desmatam, reviram e destroem a terra indígena”, afirmou.

O cantor Gilberto Gil, que integra o Conselho Consultivo da Conservação Internacional, falou sobre sua relação com o mundo natural e como essa conexão inspira sua arte: “Acho que mesmo depois que a gente for embora, essa consciência, esse sentimento profundo sobre pertencer ao mundo, pertencer à Terra, tudo isso vai permanecer.”

Sobre o Compromisso para Posse da Terra e das Florestas

Em 2021, na conferência do clima realizada na cidade de Glasgow, na Escócia, cinco países e dezenas de filantropias e organizações não governamentais firmaram o Compromisso da COP26 para Avançar o Apoio aos Direitos de Posse dos Povos Indígenas e das Comunidades Locais e à sua Guarda Florestal. Ele parte do reconhecimento de que, embora os Povos Indígenas, as comunidades locais e as comunidades afrodescendentes sejam os guardiões de muitos dos ecossistemas mais biodiversos e críticos para o clima do mundo, seus direitos à terra ainda são limitados e inseguros.

Por isso, o grupo signatário da declaração original está renovando o compromisso de apoiar os direitos de posse da terra dos povos indígenas, das comunidades locais e das comunidades afrodescendentes, reconhecendo-os como atores centrais na contenção e reversão da perda de florestas e biodiversidade e da degradação do solo e na promoção da resiliência e adaptação às alterações climáticas.As organizações signatárias entendem que tais esforços contribuem para a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e das três Convenções do Rio: de clima, biodiversidade e desertificação.

Essa renovação inclui o compromisso de coletivamente investir US$ 1,8 bilhão de 2026 a 2030 para impulsionar iniciativas que:

  • Reconheçam, assegurem, fortaleçam e sustentem seus direitos de posse de terras e florestas;
  • Promovam estratégias de conservação, restauração e clima lideradas pelas comunidades;
  • Fortaleçam instituições lideradas localmente, incluindo aquelas que representam mulheres e jovens, e as capacitem a participar de outras iniciativas climáticas, de biodiversidade e de direitos;
  • Apoiem governos em reformas políticas e planejamento de uso da terra, bem como nas condições institucionais, financeiras e sociais que protegerão e aprimorarão esse trabalho;
  • Facilitem mecanismos internacionais e nacionais que promovam seus direitos.

O Compromisso com as Florestas e a Posse da Terra não cria um mecanismo de financiamento centralizado. Cada signatário é responsável pela sua própria concessão de subsídios.Ele se aplica a trabalhos em países elegíveis para Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, em ecossistemas terrestres relevantes, incluindo florestas, terras secas, pastagens, turfeiras, manguezais e florestas litorâneas. O foco desta iniciativa reconhece a interdependência dos ecossistemas, que é fundamental para as práticas de gestão em paisagens indígenas e administradas por comunidades e opera em consonância com o direito dos Povos Indígenas de serem consultados para obter seu Consentimento Livre, Prévio e Informado, conforme estabelecido na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.