Belém (PA), 21 de novembro de 2025 — Nesta sexta-feira (21), no Pavilhão do Círculo dos Povos da COP30, o governo federal apresentou o resultado dos projetos selecionados no âmbito do edital 3 do Restaura Amazônia, iniciativa de apoio à restauração em Terras Indígenas (TIs) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), além de três organizações gestoras, entre elas a Conservação Internacional (CI-Brasil).
Foram anunciados 19 projetos, que somam R$ 123,6 milhões em apoio e abrangem 3.380 hectares em 26 TIs distribuídas pelos estados do Acre, Amazonas, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão. As iniciativas incluem implantação de sistemas agroflorestais, restauração ecológica, fortalecimento organizacional, manejo sustentável e fomento à cadeia produtiva da restauração florestal, conectando mitigação e adaptação às mudanças do clima com a geração de trabalho e renda nos territórios.
No Pará e Maranhão, estados do programa sob coordenação da CI-Brasil, foram selecionadas oito organizações para restaurar mais de 1.200 hectares:
- Fundação GUAMÁ
- KAYAPO
- Instituto Socioambiental (ISA)
- Associação Indígena Tato’a (TATOA)
- Associação Bebô Xikrin da Terra Indígena Trincheira Bacajá (BEBO)
- Associação Extrativista do Rio Kabitutu Wuyxaximã (ASERK)
- Associação Indígena Bere Xikrin da TI Bacaja (BERE XIKIRIN)
- Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN)
Após o evento, Viviane Figueiredo, gerente de projetos da Amazônia da CI-Brasil, reforçou o papel central dessas comunidades na condução da restauração e no enfrentamento à crise socioambiental: “Não podemos falar de ações climáticas, de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) e de restauração sem reconhecer os modos de vida e saberes de quem vive na e da floresta. Para a CI-Brasil, atuar em parceria com povos indígenas significa valorizar relações e práticas culturais, espirituais, econômicas e territoriais próprias desses povos, fortalecendo sua cultura e autonomia. Essa é uma resposta potente à crise climática porque nasce do conhecimento de quem vive e maneja a Amazônia todos os dias.”
O anúncio contou com a participação de Sônia Guajajara, Ministra dos Povos Indígenas; Joênia Wapichana, presidenta da Funai; Edel Moraes, secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT/MMA); e Nabil Kadri, superintendente de Meio Ambiente do BNDES, reforçando a importância da cooperação entre governo federal, instituições financeiras públicas, povos indígenas e organizações parceiras para escalar a restauração de paisagens na Amazônia.
Iniciativa em destaque na COP30
No dia 19 de novembro, Mauricio Bianco, vice-presidente da CI-Brasil, participou do painel “BNDES Florestas: como escalar investimentos em projetos de restauração de menor porte: os casos do Floresta Viva e do Restaura Amazônia”. Ao lado de Mauricio, representantes do BNDES, MMA, FBDS, IBAM, Funbio e da Subsecretaria de Meio Ambiente e Clima do município do Rio de Janeiro discutiram as estratégias de financiamento e implementação do Restaura Amazônia que sustentam a restauração em unidades de conservação, Terras Indígenas, assentamentos e pequenas propriedades rurais.
Com R$ 450 milhões aportados pelo Fundo Amazônia, a iniciativa está se consolidando como um dos maiores esforços de restauração em curso no país, fortalecendo cadeias produtivas da floresta e ampliando o protagonismo de povos indígenas e comunidades locais na agenda climática.
Uma solução, vários resultados
A restauração da Amazônia é uma estratégia essencial para enfrentar os desafios ambientais e sociais da atualidade. A ciência aponta que Soluções Baseadas na Natureza (SBN), como a restauração florestal, são indispensáveis para mitigar os impactos da crise climática e da perda de biodiversidade.
A Amazônia desempenha um papel fundamental no equilíbrio climático do planeta. No entanto, o desmatamento ameaça levar a floresta a um ponto de não retorno, transformando-a em um ecossistema semelhante à savana, comprometendo sua capacidade de regular o clima, conservar espécies e garantir a qualidade de vida das comunidades locais.
Com essa iniciativa, a CI-Brasil, BNDES, MMA, MPI e FUNAI reafirmam o compromisso com um modelo de desenvolvimento que alia conservação ambiental, inclusão social e geração de oportunidades econômicas, consolidando a Amazônia como um pilar essencial para um futuro sustentável do Brasil e do planeta.
Sobre o Restaura Amazônia
A iniciativa do BNDES, realizada em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e financiada com recursos do Fundo Amazônia e Instituições Apoiadoras, vai restaurar 15 mil hectares de vegetação nativa nos estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão.
O foco de atuação é em áreas estratégicas como o Arco do Desmatamento, visando transformá-lo em um Arco da Restauração. A Conservação Internacional (CI-Brasil) é uma das parceiras gestoras da iniciativa e irá coordenar os esforços de restauração nos estados do Pará e Maranhão.
COP30
A Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP) é o principal espaço global de negociações e decisões sobre o clima. O evento reúne líderes de governos, empresas, sociedade civil e comunidades locais para defini rmetas e estratégias de adaptação e mitigaçãoclimática.
Realizada anualmente, em 2025 a conferência chega à sua 30ª edição - a COP30 -, que ocorre em Belém do Pará, no coração da Amazônia brasileira, de 10 a 21 de novembro. O evento marca uma década do Acordo de Paris e o ponto médio tanto da Década da Restauração de Ecossistemas (2021–2030) quanto da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A Conservação Internacional (CI-Brasil) está amplamente envolvida em discussões estratégicas da COP30 e participará de mais de 60 eventos relacionados à proteção, manejo e restauração de ecossistemas para o bem-estar das pessoas, buscando consolidar as Soluções Baseadas na Natureza (SBN) como eixo central das ações de mitigação e adaptação às crises climática e da biodiversidade.