Rio de Janeiro (RJ), 14 de maio de 2026 - A Conservação Internacional (CI-Brasil), em parceria com a Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), anuncia as quatro mulheres indígenas selecionadas para a sexta edição do Programa de Mulheres Indígenas da Amazônia. A iniciativa oferece assessoria, formação em gestão de projetos e apoio técnico-financeiro para impulsionar iniciativas lideradas por mulheres indígenas voltadas à implementação de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) na floresta brasileira, mostrando que conservação também é valorização e fortalecimento de saberes tradicionais.
As selecionadas receberão assistência técnica e financiamento para executar os projetos idealizados para seus territórios, além de participar de uma rede de trocas com mulheres indígenas que já integraram edições anteriores do programa. As propostas selecionadas abordam temas como educação climática, fortalecimento de línguas indígenas, comunicação digital e geração de renda a partir de práticas conectadas à conservação da natureza.
"A Conservação Internacional reconhece e apoia o protagonismo das mulheres indígenas por sua centralidade na garantia dos direitos dos povos indígenas, na sustentabilidade dos territórios e na continuidade dos sistemas de vida tradicionais, exercendo papéis fundamentais como guardiãs de conhecimentos ancestrais, incluindo práticas de saúde e medicinas tradicionais, manejo da biodiversidade, produção de alimentos e transmissão intergeracional de saberes", destaca Renata Pinheiro, diretora do programa de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais da CI-Brasil.
AS LIDERANÇAS E INICIATIVAS SELECIONADAS
Judilene Sarmento Fernandes
Povo Dessana – Amazonas

O projeto “Nûmiâ ukũ mahsĩsé – Vozes de Mulheres do Igarapé Cucura” propõe a realização de rodas de conversa com comunidades dos povos Dessana, Tukano e Hupda, localizadas no Rio Tiquié, no Alto Rio Negro. A iniciativa busca fortalecer a participação de mulheres nas discussões sobre mudanças climáticas, conservação territorial, direitos indígenas e comunicação comunitária.
A proposta parte da educação e da troca de saberes como ferramentas para ampliar o acesso de mulheres indígenas à agenda climática e criar bases para ações futuras de mitigação e adaptação nos territórios.
Matsiani Shanenawa
Povo Shanenawa – Acre

O projeto “Tecendo Memórias Shanenawa: Educação, Comunicação e Saberes da Floresta” tem como objetivo fortalecer a língua Shanenawa, os saberes tradicionais e a formação de jovens indígenas por meio da educação, da comunicação comunitária e da criação de um sistema de memória digital indígena. A iniciativa será coordenada por Matisiani Shanenawa e desenvolvida com escolas indígenas e comunidades das 15 aldeias da Terra Indígena Katukina/Kaxinawá, do povo Shanenawa, no Acre.
Ao valorizar a língua, a memória e os conhecimentos do território, a iniciativa vai promover a transmissão intergeracional de saberes e contribuir para a continuidade de práticas culturais conectadas à conservação da floresta.
Rosane Oholipahkó
Povo Piratapuya – Amazonas

O projeto “Tucum Sustentável: Manejo Tradicional no Enfrentamento das Mudanças Climáticas” tem como foco o fortalecimento da produção sustentável nos territórios indígenas, aliando geração de renda, valorização cultural e cuidado com a natureza. A finalidade é impulsionar a autonomia econômica das mulheres da Associação das Mulheres Indígenas do Distrito de Iauaretê, na região do Alto Rio Negro, por meio do manejo sustentável do tucum.
A proposta parte do entendimento de que os saberes tradicionais já são práticas sustentáveis e devem ser fortalecidos diante dos impactos da crise climática e da crise da biodiversidade.
Adrielle Fernandes da Silva
Povo Tupinambá – Pará

O projeto “Ancestralidade em Cliques: o legado das mulheres guardiãs do conhecimento como base para agroecologia” propõe a criação de uma Escola Comunitária de Audiovisual, Saberes Tradicionais e Práticas Agroecológicas liderada por mulheres indígenas. Idealizada para a Aldeia Muratuba, no Baixo Tapajós, a iniciativa pretende estimular a transmissão intergeracional de conhecimentos agroecológicos e culturais por meio da comunicação digital.
Ao unir audiovisual, agroecologia e memória, o projeto amplia o protagonismo de mulheres indígenas na valorização de seus territórios e na construção de narrativas próprias sobre conservação, cultura e natureza.
SOBRE O PROGRAMA DE MULHERES INDÍGENAS DA AMAZÔNIA
Em um contexto em que a crise climática e a crise da biodiversidade impactam diretamente os territórios e modos de vida de povos indígenas e comunidades tradicionais, iniciativas lideradas por mulheres indígenas têm papel estratégico para ampliar a mitigação e a adaptação territorial.
Tendo em vista essa conjuntura, o Programa de Mulheres Indígenas da Amazônia já apoiou 129 lideranças de sete países amazônicos a tirarem do papel iniciativas próprias, baseadas em saberes ancestrais, que contribuem para proteger a maior floresta tropical do mundo e fortalecer o bem viver dos povos originários.
Só no Brasil, 25 mulheres indígenas foram contempladas com assessorias, formações e financiamento ao longo de cinco edições, consolidando uma rede de saberes, trocas e ação territorial que fortalece o protagonismo feminino diante da crise socioambiental.
