Belém (PA), 16 de junho de 2026 - O conhecimento tradicional do povo Panará, aliado à ciência e à tecnologia, está ajudando pesquisadores a mapear uma das regiões mais biodiversas da Amazônia. Os resultados do trabalho serão apresentados entre os dias 18 e 20 de junho, durante o Seminário Saberes e Conservação de Territórios Indígenas, na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém.
A iniciativa produziu o primeiro inventário da fauna e da flora da Terra Indígena Panará, localizada entre os estados do Pará e Mato Grosso. Até o momento, o projeto registrou 14.823 animais de 602 espécies, sendo 27 ameaçadas de extinção, como: o macaco Zogue-zogue (Plecturocebus vieirai) ou vulneráveis, a exemplo do Tatu canastra (Priodontes maximus). Há também as espécies que eram desconhecidas dos Panarás, como a Maria-leque (Onychorhynchus coronatus) e a Perereca-de-vidro (Hyalinobatrachium cappellei).
As pesquisas também registraram a presença de espécies-chave para o equilíbrio ecológico da floresta, como onças e porcos-do-mato, reforçando a importância da conservação do território. Os resultados foram obtidos a partir de um modelo de pesquisa intercultural que reúne pesquisadores indígenas e acadêmicos no monitoramento da biodiversidade.
Desenvolvido pela Conservação Internacional (CI-Brasil), Associação Indígena Iakiô, Rede Xingu+, Instituto Socioambiental (ISA), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o projeto demonstra como a integração entre conhecimentos tradicional e ciência pode fortalecer a proteção dos territórios indígenas e gerar informações estratégicas para a conservação da Amazônia.
“O conhecimento dos Panará sobre a floresta foi fundamental para ampliar nossa compreensão sobre a biodiversidade da região e fortalecer estratégias de conservação”, afirma Renata Pinheiro, diretora do Programa Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais da CI-Brasil.
O seminário irá apresentar os resultados do inventário e discutirá o potencial desse modelo de monitoramento para apoiar a conservação de outros territórios indígenas e áreas prioritárias para a biodiversidade no Brasil.
Além das organizações que compõem o projeto, o evento também é apoiado pela HP Inc., pelo Programa de Extensão Laboratório Aberto de Morfologia e pelo Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Amazônia Oriental, ambos da UFPA, ambos fomentados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Serviço
“Seminário Pesquisa intercultural como ferramenta de proteção e conservação dos Territórios Indígenas”
Data: 18 a 20 de junho
Local: Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém (PA)
A entrada é gratuita e as inscrições podem ser feitas no Sympla.
O evento também será transmitido ao vivo no Youtube da Conservação Internacional.
