Conservação Internacional apoia formação de adaptação climática do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC)

Sediado pelo Conselho Indígena de Roraima na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, encontro reuniu representantes indígenas dos cinco biomas para fortalecer planos de adaptação territorial diante da crise climática

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May 29, 2026

Boa Vista (RR), 29 de maio de 2026 – A Conservação Internacional (CI-Brasil), em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS), apoiou a realização da oficina de adaptação às mudanças climáticas do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC), ocorrida na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, entre 26 e 29 de maio. Sediado pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR), por meio do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas (DGTAMC), o encontro reuniu lideranças indígenas de diferentes regiões do Brasil para fortalecer o Comitê e apoiar a construção de planos de adaptação territorial.

Representantes dos biomas Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga e Amazônia participaram de momentos de troca de experiências, planejamento participativo e discussão sobre os impactos da crise climática nos territórios indígenas. Por meio de dinâmicas em grupo, as lideranças compartilharam desafios locais e estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas, com foco na proteção territorial, na autonomia dos povos indígenas e na valorização dos conhecimentos tradicionais.

“Os planos de adaptação à crise climática precisam reconhecer que os povos originários são sujeitos de direito, com formas próprias de governança e conhecimentos para responder aos impactos que já afetam seus modos de vida. Ao apoiar estratégias construídas pelas comunidades indígenas a partir de suas experiências, a CI-Brasil busca contribuir para o fortalecimento da gestão territorial indígena e para a ampliação da participação desses povos nas decisões climáticas”, afirma Mayara Ferreira, gerente de projetos da estratégia de Povos Indígenas da CI-Brasil. “Como consequência, esse processo conecta os saberes ancestrais às metas nacionais e globais de conservação, impulsionando Soluções Baseadas na Natureza (SBN) que valorizam as práticas tradicionais como parte central das respostas necessárias para enfrentar os desafios do presente”, complementa.

A realização do encontro integrou uma agenda de colaboração entre CI-Brasil, iCS, Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e CIMC para fortalecer capacidades, redes e instrumentos de planejamento climático. Também apoiaram a atividade a Fundação Rainforest da Noruega (Rainforest Foundation Norway — RFN), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). A formação foi facilitada pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

Adaptação construída a partir dos territórios

A oficina ocorreu em um contexto em que os impactos da crise climática já afetam diretamente os territórios indígenas, com alterações nos ciclos de chuva, aumento de eventos extremos, mudanças na disponibilidade de água e efeitos sobre roças, florestas, rios, segurança alimentar e modos de vida. Nesse cenário, os planos de adaptação territorial são instrumentos importantes para apoiar a tomada de decisão, fortalecer a governança indígena e orientar ações de prevenção, resposta e resiliência nos territórios.

Ao longo da formação, lideranças indígenas relataram desafios como avanço do desmatamento, pressão sobre territórios, poluição de rios e fontes de água e impactos de atividades econômicas sobre áreas indígenas. A agenda destacou que a adaptação às mudanças climáticas precisa ser construída a partir das realidades de cada território, considerando os conhecimentos tradicionais, a autonomia dos povos indígenas e a defesa de direitos como parte central das respostas à crise climática.

"Quero reforçar que a constituição federal declara e garante os direitos indígenas, mas, atualmente, nossos direitos têm sofrido grandes retrocessos e isso tem impactado os nossos territórios, então para falar de autonomia é preciso falar da demarcação das terras indígenas", disse Fernanda Felix, advogada do CIR.

Os facilitadores trouxeram experiências desenvolvidas em Roraima, onde o CIR é referência na construção de planos de enfrentamento às mudanças climáticas elaborados pelas próprias comunidades indígenas, com apoio de parceiros. Entre os exemplos estão o plano da região Serra da Lua, entre os municípios de Cantá e Bonfim, o plano da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, iniciado em 2019, e o plano da região Amajari, iniciado em 2023.

Durante a oficina, também avançou a construção de um plano de trabalho do CIMC para o restante de 2026, com definição de prioridades e fortalecimento de ações conjuntas entre representantes dos biomas Cerrado, Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica e Amazônia.

Sobre o CIMC

O Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC) é uma iniciativa do movimento indígena brasileiro criada para acompanhar os debates sobre clima e fortalecer a participação dos povos indígenas nas políticas climáticas, incluindo mecanismos relacionados à Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+).

A atuação do CIMC busca alinhar ações climáticas à proteção territorial e ampliar a incidência indígena nas decisões que afetam seus territórios. Em Roraima, o Comitê de Mudanças Climáticas do CIR é formado por lideranças indígenas das 12 regiões e por representantes dos departamentos da organização.