Conservação Internacional (CI-Brasil) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) promovem seminário internacional sobre análises espaciais para o zoneamento de áreas marinhas protegidas

Primeiro de um ciclo de seminários técnicos visando o intercâmbio de experiências internacionais trouxe o caso da Iniciativa Blue Azores, a maior rede de áreas marinhas protegidas do Atlântico Norte, e permitiu um debate qualificado de especialistas e gestores das Grandes Unidades Oceânicas.

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June 26, 2026

Rio de Janeiro (RJ), 26 de junho de 2026 – Nesta sexta-feira (26), a Conservação Internacional (CI-Brasil) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizaram o primeiro Seminário Técnico do ciclo sobre abordagens para o zoneamento de Áreas Marinhas Protegidas (AMPs). Organizado no contexto do projeto Fortalecimento da Gestão das Grandes Unidades Oceânicas, o encontro reuniu gestores, pesquisadores e representantes de instituições parceiras para discutir experiências internacionais voltadas ao planejamento espacial marinho e ao fortalecimento da gestão das Grandes Unidades Oceânicas (GUOs) brasileiras.

O seminário contou com a apresentação de Adriano Quintela, especialista sênior em planejamento espacial marinho da Fundação Oceano Azul e integrante do programa Blue Azores. Durante o encontro, Adriano apresentou a experiência de criação da maior rede de áreas marinhas protegidas do Atlântico Norte e compartilhou estratégias relacionadas ao uso da ciência como base para o planejamento, à construção participativa do zoneamento, à integração dos conhecimentos do setor pesqueiro e ao emprego de tecnologias de monitoramento e fiscalização.

"Promover o intercâmbio de experiências internacionais amplia nossa capacidade de adaptar soluções inovadoras para os desafios da conservação marinha no Brasil. A experiência dos Açores mostra que ciência, participação social e governança precisam avançar de forma integrada para que a gestão das áreas marinhas protegidas concilie a conservação da biodiversidade com a sustentabilidade da pesca, gerando benefícios para a natureza e as pessoas. Em Açores, o setor pesqueiro é aliado das iniciativas de conservação, pois reconhece os benefícios das áreas protegidas para a recuperação dos estoques e a sustentabilidade da pesca a longo prazo", afirma Sabrina Costa, gerente de projetos do Programa Marinho e Costeiro da Conservação Internacional (CI-Brasil).

O encontro marcou o início de um ciclo de intercâmbio técnico voltado a apoiar os processos de planejamento e gestão das áreas marinhas protegidas brasileiras. As discussões também servirão de subsídio para a oficina presencial que discutirá o planejamento espacial para zoneamento e conectividade de áreas marinhas, prevista para o mês de agosto.

Zoneamento como instrumento de gestão

O zoneamento estabelece diferentes áreas de uso e conservação dentro de uma unidade, considerando suas características ambientais, as atividades realizadas no território e os objetivos definidos para sua gestão. Esse processo permite identificar áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade, organizar atividades como a pesca, a pesquisa científica e o turismo e orientar ações de monitoramento e fiscalização.

“Nas Grandes Unidades Oceânicas, a construção do zoneamento depende da integração entre dados científicos, conhecimentos dos setores que atuam no mar e participação social. Além de subsidiar os planos de manejo, esse instrumento contribui para reduzir conflitos, estabelecer regras mais claras e conciliar a conservação dos ecossistemas com o uso sustentável dos recursos marinhos”, destaca Sabrina.

Sobre o projeto

O projeto Fortalecimento da Gestão das Grandes Unidades Oceânicas tem como objetivo apoiar a conservação e o uso sustentável das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e Monumentos Naturais (MONAs) do Arquipélago de São Pedro e São Paulo e das Ilhas de Trindade e Martim Vaz.

Realizada pela Conservação Internacional (CI-Brasil) em parceria com o Núcleo de Gestão Integrada das Grandes Unidades Oceânicas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio da Blue Nature Alliance (BNA), a iniciativa reúne instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil, órgãos governamentais e representantes dos setores que atuam no mar para fortalecer a gestão dessas unidades. As atividades integram ciência aplicada, planejamento e zoneamento marinho, monitoramento, produção de conhecimento, comunicação estratégica e articulação institucional.

O projeto está organizado em frentes complementares, tendo como base a ciência para a tomada de decisão. A iniciativa Frota+Azul: Resiliência Oceânica e da Pesca é voltada ao fortalecimento do monitoramento da atividade pesqueira, pelo desenvolvimento de soluções tecnológicas e produção de subsídios técnicos e jurídicos. Outra frente é voltada para apoiar a construção e a implementação dos planos de manejo e o zoneamento dessas Unidades de Conservação (UCs), decretadas em 2018, por meio da produção de bases técnicas-científicas e intercâmbios de conhecimento para a qualificação dos espaços de diálogo dos conselhos dessas UCs marinhas.

Sob a perspectiva de mar profundo, a iniciativa se dedica à pesquisa científica e ao Planejamento Sistemático da Conservação da ainda desconhecida biodiversidade de corais de águas profundas da Cadeia Vitória Trindade - cordilheira submarina vulcânica com cerca de 1.200 km de extensão no Atlântico Sul - passo fundamental para garantir a proteção desses ecossistemas vulneráveis e subsidiar futuras políticas de conservação marinha na região.