Conservação Internacional integra Aliança Bom Futuro para acompanhar concessão na Floresta Nacional do Bom Futuro

Iniciativa criada pela re.green reúne parceiros para contribuir com o diálogo e o planejamento das operações na primeira concessão federal voltada à restauração florestal com créditos de carbono

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June 18, 2026

Porto Velho (RO), 18 de junho de 2026 – A Conservação Internacional (CI-Brasil) passa a integrar a Aliança Bom Futuro, iniciativa criada pela re.green para acompanhar a concessão da Unidade de Manejo II da Floresta Nacional (Flona) do Bom Futuro, em Rondônia. A organização será representada por Fagner Richter, coordenador sênior de projetos, no grupo criado para apoiar o diálogo sobre a implementação da concessão, contribuir com o planejamento das operações e identificar oportunidades ligadas à restauração, conservação da natureza e desenvolvimento local no território.

A participação da CI-Brasil na Aliança Bom Futuro reforça a importância de construir arranjos colaborativos para que projetos de restauração e conservação avancem com diálogo territorial, planejamento integrado e atenção às oportunidades locais. O convite também reconhece a contribuição da organização à fase preparatória da licitação, realizada por meio do Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil).

Para Laura Lamonica, diretora de Soluções para o Clima da CI-Brasil, a Aliança cria uma oportunidade de contribuir com a implementação das ações na concessão a partir da experiência da organização em promover benefícios para as pessoas e para a natureza por meio da restauração de paisagens:

“A restauração de paisagens exige ciência, planejamento territorial, fortalecimento de cadeias produtivas e diálogo com diferentes parceiros.  A Aliança Bom Futuro nos oferece a oportunidade de acompanhar de perto uma iniciativa pioneira de concessão voltada à restauração, contribuindo com nossa experiência e, ao mesmo tempo, aprendendo com um modelo que pode gerar referências importantes para ampliar a escala da restauração no Brasil. Nossa expectativa é colaborar para que esse processo avance de forma integrada às dinâmicas sociais, ambientais e econômicas do território”, afirma.

Estudos, rastreabilidade e novos modelos para a concessão florestal

A concessão da Flona do Bom Futuro teve contribuição direta da CI-Brasil, por meio do ASL Brasil. Em 2024,  o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) promoveram um encontro de diálogo com o mercado para apresentar a prévia da concessão e sua modelagem econômico-financeira. O processo reuniu mais de 120 interessados dos setores de restauração e mercado de carbono, contribuindo para subsidiar as etapas seguintes da licitação.

Com o avanço do leilão e a criação da Aliança Bom Futuro, essa trajetória entra em uma nova etapa. A experiência na Flona tem potencial para demonstrar caminhos de ampliação da restauração em áreas públicas, atrair investimentos para a conservação da natureza e fortalecer modelos de concessão capazes de responder, de forma integrada, aos desafios da crise climática e da crise da biodiversidade.

O ASL Brasil apoiou estudos técnicos preparatórios para a estruturação de projeto da concessão florestal da Flona Bom Futuro para realização do manejo florestal e silvicultura de espécies nativas e/ou exóticas (não invasoras), incluindo plantios mistose restauração florestal, além da elaboração de minuta de edital de concessão envolvendo o conjunto completo de providências relativas à preparação do edital e contrato de concessão 

Um novo modelo

A concessão da Flona do Bom Futuro marca uma nova etapa para a restauração florestal no Brasil

ao estruturar o primeiro modelo federal voltado à recuperação de áreas degradadas com geração de créditos de carbono em uma unidade de conservação. O leilão, realizado em março na B3, em São Paulo, foi conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo SFB.

Na Unidade de Manejo II, a re.green será responsável por gerir 51,2 mil hectares ao longo de 40 anos. A iniciativa prevê a restauração direta de 6,29 mil hectares de áreas degradadas, com foco na recomposição das funções ecológicas, na conservação da natureza e na contribuição para o enfrentamento da crise climática e da perda de biodiversidade. O projeto também prevê investimento estimado de R$ 87 milhões, potencial de geração de 1,897 milhão de toneladas de CO₂ equivalente e 479 postos de trabalho na região.

Um dos diferenciais  da concessão é a inclusão produtiva de comunidades locais. O povo indígena Karitiana, consultado durante a estruturação do edital, manifestou interesse em participar da cadeia produtiva por meio do fornecimento de sementes e mudas de espécies nativas, insumos essenciais para a restauração ecológica na região.

Localizada em uma região estratégica da Amazônia brasileira, em Rondônia, a Floresta Nacional do Bom Futuro foi criada em 1988 com aproximadamente 280 mil hectares, abriga espécies da fauna como onça-pintada, queixada, macaco-aranha, anta, araras e tucanos, além de espécies da flora com valor ecológico e econômico, como castanheira-do-pará, mogno, cedro, seringueira e diferentes palmeiras.

Nesse território, onde a recuperação de áreas degradadas e o ordenamento do uso do solo são fundamentais para conservar a natureza e apoiar modos de vida locais, a concessão pode contribuir para ampliar a escala da restauração e fortalecer novos modelos de financiamento da conservação.

Sobre o ASL Brasil

O Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil) é uma iniciativa do governo federal em parceria com governos estaduais, que tem avançado na promoção da conservação e do desenvolvimento sustentável na Amazônia.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, por meio da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBIO/MMA), coordena o Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil), executado pela Conservação Internacional (CI-Brasil), Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e Fundação Getulio Vargas (FGV Europe), em parceria com órgãos estaduais de Meio Ambiente (OEMAs) e órgãos federais responsáveis pela gestão de áreas protegidas.

O ASL Brasil se insere no Programa Regional ASL, implementado pelo Banco Mundial (BM) e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), que inclui projetos no Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. Juntos, visam melhorar a gestão integrada da paisagem na Amazônia.