March 12, 2026

CI-Brasil participa de simpósio internacional sobre biodiversidade em alto-mar e implementação do Tratado do Alto-Mar (BBNJ)

Evento reuniu especialistas, governos e organizações para discutir ciência e governança na proteção da biodiversidade marinha em áreas além das jurisdições nacionais.

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Nátali Piccolo, Diretora de Conservação Marinha e Costeira da Conservação Internacional fala em simpósio

Rio de Janeiro, 12 de março de 2026 - A Conservação Internacional (CI-Brasil) participou, nesta terça-feira (10), do 3º Simpósio BBNJ (Biodiversity Beyond National Jurisdiction), realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Organizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), o evento reúne cientistas, representantes de governos e organizações da sociedade civil para discutir os caminhos para a implementação do chamado Tratado do Alto-Mar, acordo internacional voltado à conservação e ao uso sustentável da biodiversidade marinha em áreas além das jurisdições nacionais.

A região abarcada pelo tratado, conhecida como alto-mar, representa cerca de dois terços do oceano global e concentram uma biodiversidade ainda pouco conhecida pela ciência. Ao mesmo tempo, enfrentam os crescentes efeitos da crise climática somada a pressões relacionadas à pesca ilegal, que agravam a crise da biodiversidade. O acordo BBNJ busca fortalecer a cooperação internacional, ampliar o conhecimento científico e criar mecanismos de proteção para esses ecossistemas.

O encontro marca um dos primeiros grandes fóruns científicos após a entrada em vigor do Acordo BBNJ, em janeiro de 2026. Assinado por mais de 80 países, o tratado inaugura uma nova etapa na governança internacional do oceano, mas ainda enfrenta desafios técnicos, institucionais e científicos para sua implementação. Ao longo do simpósio, pesquisadores, governos e organizações internacionais discutem esses desafios e buscam produzir recomendações que contribuam para a aplicação prática do acordo no âmbito das Nações Unidas.

Entre os participantes esteve a diretora de Conservação Marinha e Costeira da CI-Brasil, Nátali Piccolo, que integrou o painel “The Biodiversity of ABNJ”. Durante o debate, foram discutidos a produtividade biológica de áreas, a importância da conectividade entre áreas produtivas e também ricas em biodiversidade. Piccolo destacou a importância de integrar ciência, governança e participação social na implementação do acordo internacional. “Não podemos separar as pessoas do processo de conservação, nem da interface entre política pública e ciência. Precisamos construir uma visão conjunta para a implementação do BBNJ, envolvendo governos, comunidades locais e diferentes setores da sociedade. Porque, no fim das contas, a base e a implementação do tratado dependem das pessoas.”

A diretora também ressaltou que experiências internacionais mostram que áreas marinhas protegidas em regiões oceânicas remotas podem ter significados culturais importantes para comunidades costeiras, além de seu valor ecológico. “Em alguns casos, conhecimentos tradicionais têm contribuído para identificar áreas prioritárias para conservação e ampliar o entendimento científico sobre a biodiversidade marinha, além do valor cultural das áreas para indígenas e comunidades locais”, finalizou Piccolo.

Sobre o acordo BBNJ

O acordo BBNJ (Biodiversity Beyond National Jurisdiction), também conhecido como ‘Tratado do Alto-Mar', foi adotado pela ONU em 2023 para estabelecer regras de conservação e uso sustentável da biodiversidade em áreas além das jurisdições nacionais. O Brasil assinou o tratado em setembro de 2023 e sua ratificação depende da aprovação do Congresso Nacional.