Em uma unidade de conservação de 94 mil hectares em Rondônia, pelo menos 2,4 mil deles estão sendo regenerados naturalmente pelo governo do estado e pelas dez famílias que vivem a região. Esses últimos são moradores da Reserva Extrativista (Resex) Rio Preto do Jacundá e trabalham para garantir o máximo que podem o isolamento da área e impedir que ela seja desmatada diante da pressão por terras na região.
Faz dois anos que o território sofre com os riscos da grilagem e exploração ilegal de madeira, mesmo dentro de uma Unidade de Conservação e protegido por lei. A vegetação em regeneração que agora ocupa a área retorna um pouco a cada dia graças ao trabalho da comunidade. “A própria floresta tem uma tendência natural muito boa de regeneração”, comentou o presidente da Associação dos Moradores da reserva, José Pinheiro.
Ainda de acordo com Pinheiro, o território sofre bastante pela exploração de madeira, agricultura e pecuária. “Algumas áreas foram desmatadas para dar abertura ao estoque de madeiras em pátios. Chegamos a confrontar algumas pessoas que estavam fazendo a retirada ilegal de madeira, e tivemos êxito nas atuações”, disse. A comunidade que vive na Resex também participa de algumas ações de apoio a áreas ribeirinhas em risco.
A região em recuperação está sendo monitorada atualmente pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia (SEDAM-RO), em parceria com o projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (Amazon Sustainable Landscapes, ou ASL Brasil na sigla em inglês), além da fiscalização dos órgãos ambientais do estado. O processo de regeneração natural, diferente da restauração por plantio direto por exemplo, tem a vantagem de ter um baixo custo e respeitar o tempo da natureza de se recompor. Mas é preciso equilibrar a biodiversidade das espécies nativas com o plantio de mudas e nutrição do solo.
Sobre o ASL Brasil
O Projeto Paisagens Sustentáveis (ou Amazon Sustainable Landscapes – ASL, em inglês) é um esforço multissetorial para aumentar as áreas protegidas, melhorar a gestão de Unidades de Conservação e aumentar a área sob restauração florestal e manejo sustentável na Amazônia brasileira.
A iniciativa no Brasil atua nos estados do Acre, Amazonas, Pará e Rondônia, apoiando e fomentando políticas que buscam garantir a implementação de instrumentos de uso sustentável para apoiar a conservação de áreas protegidas e garantir a manunteção de serviços ambientais.
A iniciativa é financiada pelo Global Environment Fund (GEF) com aporte de US$ 60,33 milhões no Brasil até 2024. Tanto a Conservação Internacional (CI-Brasil) quanto o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) são agências executoras do projeto no Brasil. O projeto conta com coordenação do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e tem o Banco Mundial como Agência Implementadora.