Restaura Amazônia anuncia iniciativas selecionadas para restaurar 744 hectares no Pará e Maranhão em parceria com a Conservação Internacional
Chamada pública apoiará projetos de restauração em Unidades de Conservação prioritárias da Amazônia
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Resultado foi divulgado em evento que reuniu representantes do governo, setor produtivo e organizações da sociedade civil para discutir a recuperação de ecossistemas no país.
Brasília (GO), 11 demarço de 2025 — Nesta quarta-feira (11), o resultado do quarto ciclo de editais do Restaura Amazônia foi apresentado durante o workshop “Restauração em Escala: Integração federativa para a recuperação da vegetação nativa” realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em Brasília. No Pará e Maranhão, estados com ações coordenadas pela Conservação Internacional (CI-Brasil), serão restaurados 744 hectares identificados como prioritários para gerar benefícios para a natureza e as pessoas.
Fruto da colaboração entre Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Petrobras e três organizações gestoras, o quarto ciclo apoiará a restauração total de 2,8 mil hectares em Unidades de Conservação localizadas nos estados do Acre, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Maranhão. Ao todo, serão disponibilizados R$ 69,5 milhões para 11 iniciativas voltadas à recuperação de áreas degradadas e ao fortalecimento da cadeia produtiva de mudas e sementes na Amazônia legal.
“O Brasil tem uma oportunidade histórica de liderar o mercado global de restauração florestal. Ao apoiar iniciativas como o Restaura Amazônia, o governo do Brasil, por meio do BNDES, contribui para transformar áreas degradadas em novas florestas produtivas, gerando renda, empregos e soluções climáticas baseadas na natureza”, afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
Durante o anúncio, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância de mecanismos como o Fundo Amazônia para a criação de um novo ciclo de prosperidade baseado em uma dinâmica econômica que valorize a floresta.
“Meio ambiente e desenvolvimento fazem parte da mesma equação. Quando temos políticas públicas bem desenhadas e com continuidade, conseguimos resultados como transformar o antigo Arco do Desmatamento no Arco da Restauração. Municípios que param de desmatar precisam de meios para restaurar e manter suas florestas em pé, gerando emprego e renda. Mas nada disso é possível sem combater o ilegal, porque tudo que queremos é que o desenvolvimento sustentável aconteça em todas as suas dimensões: econômica, social, ambiental, cultural, política, ética e estética. Um mundo mais preservado é também um mundo mais bonito", afirmou.
Além da divulgação dos resultados, o workshop reuniu representantes do governo, setor produtivo e organizações da sociedade civil para discutir caminhos para ampliar a recuperação de ecossistemas no país.
Projetos no Pará e Maranhão
Nos estados liderados pela CI-Brasil, foram escolhidos projetos de três organizações:
Wildlife Conservation Society (WCS)
Instituto Brasileiro dos Recursos Ambientais e Assessoria Rural (IBRAMAR)
Instituto Socioambiental (ISA)
As iniciativas selecionadas atuarão em territórios prioritários como a Reserva Extrativista do Rio Iriri, no Pará, e a Reserva Biológica do Gurupi, no Maranhão. Os projetos incluem implantação de sistemas agroflorestais, restauração ecológica, fortalecimento organizacional, manejo sustentável e estímulo à cadeia produtiva da restauração florestal.
“A restauração em Unidades de Conservação tem um papel importante porque esses territórios funcionam como núcleos de biodiversidade e conectividade na paisagem amazônica. Ao direcionar investimentos para recuperar áreas degradadas dentro dessas áreas protegidas, fortalecemos ecossistemas fundamentais para enfrentar a crise climática e a crise da biodiversidade, ao mesmo tempo em que ampliamos oportunidades para comunidades e organizações que atuam na cadeia da restauração”, afirma Viviane Figueiredo, gerente de projetos da Amazônia da CI-Brasil.
Uma solução, vários resultados
A restauração da Amazônia é uma estratégia essencial para enfrentar os desafios ambientais e sociais da atualidade. A ciência aponta que Soluções Baseadas na Natureza (SBN), como a restauração florestal, são indispensáveis para mitigar os impactos da crise climática e da perda de biodiversidade.
A Amazônia desempenha um papel fundamental no equilíbrio climático do planeta. No entanto, o desmatamento ameaça levar a floresta a um ponto de não retorno, transformando-a em um ecossistema semelhante à savana, comprometendo sua capacidade de regular o clima, conservar espécies e garantir a qualidade de vida das comunidades locais.
Por meio do Restaura Amazônia, a CI-Brasil, BNDES, MMA e Petrobras reafirmam o compromisso com um modelo de desenvolvimento que alia conservação ambiental, inclusão social e geração de oportunidades econômicas, consolidando a Amazônia como um pilar essencial para um futuro sustentável do Brasil e do planeta.
Sobre o Restaura Amazônia
A iniciativa do BNDES, realizada em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e financiada com recursos do Fundo Amazônia e Instituições Apoiadoras, vai restaurar 15 mil hectares de vegetação nativa nos estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão.
O foco de atuação é em áreas estratégicas como o Arco do Desmatamento, visando transformá-lo em um Arco da Restauração. A Conservação Internacional (CI-Brasil) é uma das parceiras gestoras da iniciativa e irá coordenar os esforços de restauração nos estados do Pará e Maranhão.