Brasil alcança 3,4 milhões de hectares em restauração por meio de colaboração multissetorial

Mapeamento é resultado de um esforço conjunto liderado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima com apoio da FAO, da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e da União pela Restauração, aliança formada por Conservação Internacional, TNC Brasil, WRI Brasil e WWF-Brasil.

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November 27, 2025

Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2025 — Durante a COP30, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) anunciou que o Brasil já conta com 3,4 milhões de hectares em processo de restauração da vegetação nativa no âmbito do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) - quase um terço da meta nacional de 12 milhões de hectares até 2030. O anúncio ocorreu no evento “Agenda Restaura Brasil – Conectando Convenções, Impactando Pessoas e Natureza”,que destacou a integração entre políticas públicas, cooperação internacional, governança territorial e mecanismos financeiros para ampliar a restauração em todos os biomas.

O levantamento contempla processos de recuperação em Terras Indígenas, Unidades de Conservação, Áreas de Preservação Permanente (APPs), Áreas de Uso Restrito (AUR), Reservas Legais e áreas vinculadas a instrumentos de responsabilização ambiental. Grande parte desses hectares corresponde a áreas de vegetação secundária em regeneração, demonstrando a força da natureza na recomposição de ecossistemas quando há redução de pressões, apoio à proteção e fortalecimento da governança territorial.

Esse avanço resulta de um processo robusto de mapeamento conduzido pelo MMA no âmbito da Comissão Nacional para a Recuperação da Vegetação Nativa (CONAVEG), com apoio técnico da FAO, da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e da União pela Restauração (U4R) - aliança formada por Conservação Internacional (CI-Brasil), TNC Brasil, WRI Brasil e WWF-Brasil. A U4R teve papel decisivo na integração de bases de monitoramento, na consolidação de critérios técnicos e na construção da visão mais abrangente já produzida sobre a restauração no país, fortalecendo a governança multissetorial e contribuindo diretamente para políticas públicas com impacto ambiental, social e econômico.

“O resultado apresentado mostra que o Brasil está construindo uma base sólida para restaurar em escala a partir de práticas baseadas em ciência, boas políticas públicas e ação concreta nos territórios. A União pela Restauração (U4R) vem contribuindo desde a revisão do Planaveg até o fortalecimento do Observatório da Restauração, além da coordenação de iniciativas que impulsionam tanto a implementação da restauração nos territórios quanto a estruturação do setor. Seguiremos apoiando o país no avanço de uma agenda integrada, orientada para gerar impactos climáticos e socioeconômicos duradouros”, destaca Ludmila Pugliese, diretora de Restauração de Paisagens e Florestas da CI-Brasil.

As organizações da aliança coordenaram a força-tarefa responsável por revisar, coletar e qualificar os dados presentes no Observatório da Restauração e Reflorestamento, estabelecendo atributos mínimos de qualidade para o registro de iniciativas voluntárias de restauração. O Observatório - previsto no Planaveg - tornou-se a principal referência nacional para acompanhar dados de restauração voluntária, atuando de forma complementar a bases governamentais, como SICAR e TerraClass/INPE, e fortalecendo a consistência, transparência e a rastreabilidade das informações.

A contribuição da U4R, no entanto, antecede o mapeamento divulgado na COP30. Em parceria com os coletivos biomáticos e outras organizações, a aliança participou ativamente da revisão do Planaveg para o ciclo 2025–2028,colaborando diretamente na formulação das políticas públicas que orientarão a ação nacional em restauração nos próximos anos. A nova edição reafirma a meta de restaurar 12 milhões de hectares até 2030 e estrutura a agenda em três pilares estratégicos: Governança, Mecanismos Financeiros e Monitoramento. O processo envolveu oito ministérios, governos estaduais, redes e coletivos biomáticos, movimentos sociais e setor privado, configurando um esforço nacional amplo e articulado.

Ao mesmo tempo, as organizações que compõem a união fortalecem a agenda de restauração a partir da implementação de projetos nos territórios - como o Restaura Biomas e, no caso da CI-Brasil,Restaura Amazônia e o Priceless Planet Coalition - e da atuação direta na estruturação da cadeia da restauração. Isso inclui iniciativas que atraem novos investimentos, ampliam a produção de sementes e mudas, valorizam conhecimentos tradicionais, promovem inovação no setor e apoiam a regularização ambiental para consolidar uma economia baseada na floresta em pé.

A consolidação da restauração como política de Estado é resultado da atuação conjunta de governos, organizações, comunidades, povos indígenas, comunidades tradicionais, produtores rurais e setor privado, como destaca Thiago Belote, diretor do Departamento de Florestas do MMA:

"Os dados mostram que a restauração no Brasil deixou de ser expectativa e se tornou realidade concreta, medida com rigor técnico e distribuída em todos os biomas. Este é um esforço coletivo do Estado brasileiro e da sociedade”, afirmou.

Próximos passos 

O marco de 3,4 milhões de hectares inaugura uma nova fase para a política de restauração no Brasil. Os próximos anos serão voltados para:

  • Garantir a permanência da vegetação secundária, fortalecendo Planos de Prevenção e Controle do Desmatamento (PPCDs) e a implementação efetiva do Código Florestal;
  • Integrar mecanismos financeiros e ampliar modelos de blended finance, atraindo novos investimentos públicos, privados e internacionais;
  • Ampliar estratégias que acelerem o impacto, como o fortalecimento de cadeias produtivas, mapeamento de territórios prioritários, foco em florestas produtivas e novo Tropical Forests Forever Facility (TFFF).

Escrito com informações do portal do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Saiba mais no site.

União Pela Restauração

Criada na COP26, a União pela Restauração (U4R) é umacoalizão formada por CI-Brasil, WRI Brasil, WWF-Brasil e TNC Brasil. Atuando em todos os biomas brasileiros, a U4R trabalha para apoiar a implementação do Planaveg por meio da meta de restaurar 4 milhões de hectares até 2030, além de fortalecer políticas públicas, impulsionar redes e movimentos locais e atrair investimentos para toda a cadeia da restauração.