Conservação Internacional destaca integração entre restauração e regularização ambiental na II Semana do Clima da Amazônia

Em painel promovido pelo IPAM, organização apresentou como articulação entre instrumentos públicos, fortalecimento institucional e cadeia da restauração pode ampliar a recuperação de paisagens no Pará

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July 1, 2026

Belém (Pará), 01 de julho de 2026 – Nesta quarta-feira (1º), a Conservação Internacional (CI-Brasil) participou do painel “A importância da restauração e regularização ambiental no enfrentamento às mudanças climáticas”, realizado em Belém durante a II Semana do Clima da Amazônia. Promovido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o encontro reuniu representantes dos governos federal, estadual e municipal e de organizações da sociedade civil para discutir caminhos que conectem políticas públicas, produção sustentável e recuperação da vegetação nativa.

Renato Rodrigues, coordenador sênior de projetos da CI-Brasil e representante da organização no debate, apresentou experiências que conectam a análise e a qualificação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) ao fortalecimento da cadeia da restauração. Em sua participação, destacou a regularização ambiental como ponto de partida para orientar a recuperação de áreas degradadas e articular políticas públicas, investimentos e ações nos territórios.

“A regularização ambiental não deve ser compreendida apenas como uma exigência legal. Ela é um instrumento estratégico para orientar o uso da terra, identificar as áreas que precisam ser recuperadas e planejar a recomposição da vegetação nativa. Dessa forma, contribui para direcionar esforços e apoiar comunidades rurais na adoção de sistemas produtivos mais sustentáveis, como os Sistemas Agroflorestais”, afirmou.

Renato ressaltou que a integração entre o CAR, o Programa de Regularização Ambiental (PRA), o fortalecimento das instituições públicas e as iniciativas de restauração amplia as condições para recuperar paisagens no Pará. Para que esse processo avance, é necessário articular assistência técnica, financiamento, monitoramento e uma cadeia preparada para fornecer sementes, mudas e serviços em escala.

“Essa integração é essencial para apoiar o cumprimento do Código Florestal e criar as condições necessárias para que a restauração avance em direção às metas do Pará e do Brasil. Ao mesmo tempo, contribui para tornar as paisagens mais resilientes diante da crise do clima e da biodiversidade, transformando compromissos em resultados para a natureza e para as pessoas”, concluiu.

Mediado por Alcilene Cardoso, gerente de projetos do IPAM, o painel também contou com Marcela Eberius Mendonça, coordenadora-geral de Apoio à Regularização Ambiental Rural do Serviço Florestal Brasileiro (SFB); Maximira de Araújo Costa, diretora de Geotecnologias e Regularização Ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas-PA); e João de Jesus Sousa, secretário municipal de Meio Ambiente de Placas (PA).

Aprendizados em escala

Parte dos aprendizados compartilhados durante o painel foi construída no contexto do Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil), iniciativa que apoiou 44 mil hectares em processo de restauração na Amazônia. O projeto também contribuiu para a análise de mais de 61 mil Cadastros Ambientais Rurais, dos quais 55,7 mil foram finalizados.

As ações também contribuíram para a assinatura de 1,3 mil Termos de Compromisso Ambiental (TCAs), a elaboração de Projetos de Recomposição de Áreas Degradadas e Alteradas (PRADAs) e o desenvolvimento de módulos estaduais de monitoramento no Acre, voltados ao acompanhamento de áreas regularizadas e à gestão da produção e do fomento de mudas. Esse resultado alcançou 1,67 milhão de hectares com práticas produtivas sustentáveis, conectando planejamento do uso da terra, adequação ambiental e sistemas produtivos compatíveis com a conservação da natureza.

Os avanços foram acompanhados pelo fortalecimento da base técnica e operacional necessária para dar continuidade à recuperação de áreas degradadas e à implementação do Código Florestal nos territórios. A iniciativa participou da construção de 58 viveiros florestais, que somam capacidade de produção superior a 800 mil mudas, e promoveu capacitações para diferentes atores da cadeia da restauração. No Pará, por exemplo, mais de 200 técnicos e extensionistas foram capacitados em restauração e regularização ambiental.

Sobre a Semana do Clima da Amazônia

A Semana do Clima da Amazônia é uma iniciativa colaborativa de organizações da sociedade civil e do setor privado. Realizada em Belém (PA), entre os dias 29 de junho e 04 de julho, a segunda edição teve como objetivo construir soluções concretas para os desafios ambientais, sociais e culturais da região amazônica.