ASL Brasil supera todas as metas na primeira fase e consolida resultados para desenvolvimento sustentável na Amazônia

Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia apoiou ações de restauração de paisagens, manejo sustentável, produção sustentável, regularização ambiental, fortalecimento de áreas protegidas e estruturação de políticas públicas na Amazônia, beneficiando mais de 103,5 mil pessoas.

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May 20, 2026

Rio de Janeiro (RJ), 20 de maio de 2026 – Com atuação no Acre, Amazonas, Pará e Rondônia, o Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil) alcançou e superou todas as metas estabelecidas e consolidou resultados expressivos para o desenvolvimento sustentável na Amazônia. A iniciativa alcançou 102 municípios, 56 unidades de conservação e 61,5 mil imóveis rurais, beneficiando diretamente mais de 103,5 mil pessoas.

Entre os principais avanços, o ASL Brasil apoiou aproximadamente 44 mil hectares em processo de restauração, resultado cerca de 57% superior à meta inicial de 28 mil hectares. Na agenda de produção e regularização rural, contribuiu para a adoção de práticas sustentáveis em cerca de 1,67 milhão de hectares e apoiou a análise de mais de 55,7 mil Cadastros Ambientais Rurais (CAR), mais que o dobro da meta de 27 mil propriedades rurais apoiadas com ferramentas de planejamento do uso da terra. O projeto também superou a meta relacionada a áreas protegidas sob manejo, com mais de 6,7 milhões de hectares implementando práticas de manejo sustentável.

Os números refletem uma atuação voltada à promoção da gestão integrada da paisagem amazônica com objetivo de fortalecer uma das regiões mais importantes para o equilíbrio climático do planeta. Para Laura Lamonica, diretora de Soluções para o Clima da Conservação Internacional (CI-Brasil), a superação das metas reforça a importância dessa estratégia:

“Esses resultados traduzem a potência de adotar uma gestão integrada da paisagem, fundamental para garantir o equilíbrio dos ecossistemas e gerar resultados consistentes de longo prazo para o clima, a biodiversidade e as pessoas”, ressalta a diretora. “Na prática, isso significou articular e fortalecer diferentes atores, como comunidades locais, governos subnacionais e setor produtivo, para ordenar e promover o uso do território de forma sustentável. O ASL Brasil mostra que é possível promover desenvolvimento sustentável na Amazônia quando há diálogo e colaboração entre diferentes parceiros”, complementa.

Para além dos indicadores, os territórios de atuação do ASL Brasil já apresentam sinais concretos da importância de ações integradas na transformação da paisagem. Na Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia, câmeras instaladas para monitoramento da biodiversidade registraram a presença de onça-pintada, anta e macaco-aranha. Espécies como essas dependem de florestas extensas e bem conservadas para sobreviver, e seu retorno indica que os ecossistemas começaram a recuperar suas funções ecológicas.

Registro de anta a partir do monitoramento de biodiversidade na Flona do Bom Futuro através da aplicação do protocolo Tropical Ecology Assessment and Monitoring Network (TEAM), com a instalação de 25 armadilhas fotográficas entre os meses de maio a julho de 2025 em áreas de floresta primária e de restauração ecológica apoiadas pelo projeto ASL-Brasil. As atividades de elaboração do desenho amostral e implantação das armadilhas foram realizadas pela equipe da Ecoporé, com colaboração do ICMBio/NGI Porto Velho.

Restauração de paisagens

O ASL Brasil apoiou a elaboração de Planos Estaduais de Restauração da Vegetação Nativa (PRVN) e 44 mil hectares em processo de restauração florestal na Amazônia, alcançando 157% da meta inicial do projeto. Desse total, cerca de 43,3 mil hectares correspondem a ações de regeneração natural assistida e 792 hectares a restauração ativa, incluindo sistemas agroflorestais com espécies produtivas e florestais.

Os números de campo foram acompanhados pelo fortalecimento da base técnica e operacional necessária para dar continuidade à recuperação de áreas degradadas e à implementação do Código Florestal nos territórios. A iniciativa participou da construção de 58 viveiros florestais, que somam capacidade de produção superior a 800 mil mudas, e promoveu capacitações para diferentes atores da cadeia da restauração. No Pará, por exemplo, mais de 200 técnicos e extensionistas foram capacitados em restauração e regularização ambiental.

Na aldeia Beijarana, em Porto Velho (RO), Evanilse Karitiana é uma das pessoas que dão rosto aos resultados. Desde cedo, ela aprendeu a observar a floresta e a reconhecer sementes com quem veio antes. “Quando a gente encontra uma semente no chão, a gente junta e leva para os mais velhos. Pergunta o nome, pergunta se pode coletar ou não. É assim que a gente aprende. E hoje esse aprendizado virou trabalho, virou renda. Para nós, mulheres, mudou muita coisa. Trouxe alegria, autonomia e uma vida melhor não só para nossas famílias, mas para todo o planeta”, conta.

Regularização ambiental e produção sustentável

Na agenda de regularização ambiental e produção sustentável, o ASL Brasil avançou na implementação de instrumentos essenciais para orientar o uso da terra e apoiar a adequação de propriedades rurais ao Código Florestal junto às secretarias de meio ambiente dos estados abarcados. Foram analisados mais de 61 mil Cadastros Ambientais Rurais (CAR), dos quais 55,7 mil foram finalizados, resultado mais de 106% superior à meta inicial de 27 mil propriedades rurais apoiadas com ferramentas de planejamento do uso da terra.

As ações também contribuíram para a assinatura de 1,3 mil Termos de Compromisso Ambiental (TCAs), a elaboração de Projetos de Recomposição de Áreas Degradadas e Alteradas (PRADAs) e o desenvolvimento de módulos estaduais de monitoramento no Acre, voltados ao acompanhamento de áreas regularizadas e à gestão da produção e do fomento de mudas.

Esse resultado alcançou 1,67 milhão de hectares com práticas produtivas sustentáveis - quase duas vezes superior à meta inicial de 900 mil hectares -, conectando planejamento do uso da terra, adequação ambiental e sistemas produtivos compatíveis com a conservação da natureza. Para Leuzabeth Silva, gerente de projetos da CI-Brasil, os avanços mostram a importância dos instrumentos legais para transformar planejamento em ações concretas nos territórios:

“O CAR é uma etapa fundamental para a regularização ambiental, ao mesmo tempo em que orienta o uso da terra e cria condições para práticas produtivas mais sustentáveis. Ao fortalecer sua implementação, o ASL Brasil contribuiu para que estados, produtores rurais e parceiros locais avancem no cumprimento do Código Florestal e em uma agenda que conecte desenvolvimento territorial à conservação da natureza”, destaca.

Cadeias produtivas sustentáveis, pesca e turismo

O projeto buscou transformar a conservação em oportunidade concreta para territórios que dependem diretamente da floresta e dos rios. A iniciativa combinou fortalecimento de cadeias da sociobiodiversidade, acordos de pesca e turismo de base local para valorizar modos de vida, gerar renda e organizar o uso sustentável dos recursos naturais.

Ao todo, seis cadeias produtivas foram fortalecidas: borracha, cacau, café, castanha, mandioca e mel, com ações relacionadas a 17 espécies cultivadas, entre produtivas e florestais. Também foram viabilizados estudos para o beneficiamento de castanha-do-brasil na Reserva Extrativista Rio Cautário e capacitações em cadeias de valor da sociobiodiversidade, especialmente borracha natural, copaíba e castanha-do-brasil. Nesse processo, 115 comunitários foram formados como parabotânicos, aproximando conhecimento local, ciência e manejo sustentável.

No Amazonas, 13 acordos de pesca contribuíram para o ordenamento de mais de 1,6 milhão de hectares de recursos hídricos, com construção de protocolo de monitoramento e iniciativas relacionadas ao manejo de crocodilianos. Além das cadeias produtivas, o ASL Brasil apoiou iniciativas que reforçam o potencial do turismo em se integrar à conservação e valorização dos territórios, como a reabertura da Trilha Chico Mendes e a implantação da Trilha Aquática Manguezais Amazônicos.

Neila Silva, gerente de projetos da CI-Brasil, destaca que conservar a natureza também passa por fortalecer as economias e as formas de gestão dos territórios: “Quando cadeias da sociobiodiversidade e iniciativas locais são fortalecidas, a conservação passa a fazer parte das escolhas econômicas e de gestão local. O ASL Brasil contribuiu para estruturar alternativas que valorizam quem vive da floresta e dos rios, ao mesmo tempo em que ampliam a capacidade dos territórios de usar os recursos naturais de forma sustentável”, afirma.

Áreas protegidas sob manejo

Nas áreas protegidas, o ASL Brasil atuou junto a 56 unidades de conservação, fortalecendo o planejamento, manejo e monitoramento de territórios estratégicos da Amazônia.

As entregas incluíram a capacitação de agentes, brigadistas e servidores, além da elaboração e revisão de 20 planos de manejo sustentável, fundamentais para orientar a gestão dos recursos naturais das unidades.

Um dos marcos foi a aprovação do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, no Pará. Em uma unidade historicamente ameaçada pelo desmatamento e pelo garimpo, o avanço amplia a capacidade dos órgãos gestores de responder a pressões territoriais e promover a conservação da natureza.

Com esse conjunto de ações, a iniciativa ampliou a implementação de práticas de manejo sustentável em mais de 6,7 milhões de hectares, resultado aproximadamente 35% acima da meta prevista.

Concessão florestal: estudos, rastreabilidade e novos modelos

Na agenda de concessões florestais, o ASL Brasil contribuiu para ampliar a capacidade de planejamento, monitoramento e gestão de áreas destinadas ao manejo sustentável.

A iniciativa superou a meta de 1,4 milhão de hectares de área florestal sob planos de manejo sustentável, apoiando estudos técnicos, inventários florestais, análises de logística e precificação da madeira, mapeamentos para editais e metodologias de monitoramento.

O projeto também fortaleceu a rastreabilidade das concessões florestais federais por meio de plataformas como o Recooperar e de diagnósticos sobre o uso de tecnologia por radiofrequência (RFID), voltados ao aprimoramento da gestão pública e à identificação segura da madeira oriundas de concessões florestais federais.

Outra frente estratégica foi o apoio ao diagnóstico e ao processo de licitação da primeira concessão florestal do Brasil voltada à restauração, com potencial de recuperar mais de 14 mil hectares de áreas degradadas na Floresta Nacional do Bom Futuro. A iniciativa também contribuiu para avaliar os impactos sociais, econômicos e ambientais das concessões florestais federais, fortalecendo a geração de evidências para novos modelos de uso sustentável da floresta.

Legado para a Amazônia

A conclusão da primeira fase com todas as metas iniciais superadas reforça a força das parcerias construídas e deixa um legado de cooperação, inovação e fortalecimento institucional para novos ciclos de conservação, restauração e manejo sustentável.

Mais do que resultados numéricos, os avanços mostram como a gestão integrada da paisagem pode ampliar Soluções Baseadas na Natureza (SBN) e promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia. Essa abordagem apoia a mitigação e a adaptação diante da crise climática e da crise da biodiversidade, ao mesmo tempo em que gera benefícios para comunidades locais, produtores rurais, organizações parceiras e instituições públicas.

Sobre o Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia

O Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil) é uma iniciativa do governo federal em parceria com governos estaduais, que tem avançado na promoção da conservação e do desenvolvimento sustentável na Amazônia.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, por meio da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBIO/MMA), coordena o Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil), executado pela Conservação Internacional (CI-Brasil), Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e Fundação Getulio Vargas (FGV Europe), em parceria com órgãos estaduais de Meio Ambiente (OEMAs) e órgãos federais responsáveis pela gestão de áreas protegidas.

O ASL Brasil se insere no Programa Regional ASL, implementado pelo Banco Mundial (BM) e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), que inclui projetos no Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. Juntos, visam melhorar a gestão integrada da paisagem na Amazônia.