São Paulo (SP), 19 demaio de 2026 – A Conservação Internacional e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura realizaram, nesta terça-feira (19), o diálogo executivo “Financiamento para natureza e clima no setor de uso da terra” em São Paulo. O encontro reuniu lideranças empresariais, representantes da Coalizão e especialistas da Conservação Internacional para discutir como o financiamento para natureza e clima pode apoiar estratégias corporativas sustentáveis, fortalecer cadeias produtivas de baixo carbono e acelerar soluções no setor de uso da terra.
A conversa partiu do desafio de ampliar o fluxo de capital para soluções que já estão em desenvolvimento nos territórios, como pecuária sustentável, agricultura de baixo carbono e modelos de negócios baseados na natureza. Durante as trocas, os participantes discutiram instrumentos financeiros, incentivos e parcerias capazes de acelerar a produção sustentável, a conservação de florestas e a resiliência climática em cadeias ligadas ao uso da terra. Também foram debatidas oportunidades relacionadas a mercados de carbono e natureza, restauração de paisagens, sistemas produtivos de baixo carbono e mecanismos capazes de transformar compromissos corporativos em ações escaláveis.
“Nossa colaboração com o BTG Pactual / Timberland Investment Group no The Reforestation Fund (TRF), que já captou US$ 1,24 bilhão para recuperar milhares de áreas degradadas no Cerrado, mostra como é possível alcançar um novo patamar de escala para Soluções Baseadas na Natureza (SBN). Esse volume de capital vai muito além do que seria possível mobilizar apenas com filantropia ou financiamento público”, destacou Mauricio Bianco, vice-presidente sênior da CI-Brasil. “O Brasil tem uma oportunidade única, pela força do que já foi construído e pelo potencial do país. Para aproveitá-la, é preciso ampliar a colaboração efetiva entre empresas e a sociedade civil. A Coalizão tem papel essencial nesse processo, ao impulsionar boas práticas, investimentos e políticas capazes de transformar modelos promissores em soluções de escala”, complementou.
Na mesa-redonda os participantes discutiram a necessidade de aproximar instituições financeiras, empresas, produtores e políticas públicas; reduzir riscos percebidos; fortalecer projetos prontos para receber investimento; e estruturar mecanismos capazes de conectar desempenho econômico, mitigação e adaptação climática, conservação da biodiversidade e inclusão produtiva.
Para Fernando Sampaio, colíder da Força-Tarefa de Rastreabilidade e Transparência e membro do Grupo Estratégico (GE) da Coalizão, o avanço dessa agenda depende da capacidade de aproximar capital, ciência, produção e conservação em modelos de implementação territorial:
“O Brasil já possui experiências, conhecimento e parcerias capazes de mostrar que é possível produzir melhor, conservar mais e restaurar paisagens degradadas. Mas, para ganhar escala, é preciso fortalecer a governança, a atuar em propostas de políticas públicas e instrumentos financeiros compatíveis com a realidade dos territórios. A Coalizão atua justamente na colaboração multissetorial para que essa agenda avance”, destacou.
Além de Bianco, a Conservação Internacional foi representada por Sebastian Troeng, CEO da organização; Rachel Biderman, vice-presidente sênior para as Américas; Laura Lamonica, diretora de Soluções para o Clima; Beto Mesquita, diretor de Paisagens Sustentáveis; Gustavo Souza, diretor sênior de Políticas e Finanças para a Amazônia; e Tatiana Souza, Diretora de Desenvolvimento e Comunicação. A programação contou ainda com fala de Leonel Almeida, gerente executivo de Pecuária Sustentável da MBRF.
