São Paulo (SP), 18 de maio de 2026 - A Conservação Internacional, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e o BTG Pactual promoveram, nesta segunda-feira (18), a mesa-redonda “Liderança Empresarial para um Futuro Positivo para a Natureza”. Realizado na sede do BTG Pactual, em São Paulo, o encontro reuniu lideranças empresariais, representantes do setor financeiro e organizações da sociedade civil para discutir como mobilizar capital em escala para acelerar Soluções Baseadas na Natureza (SBN) com integridade, previsibilidade e impacto socioambiental de longo prazo.
A Conservação Internacional foi representada no encontro por Sebastian Tröeng, CEO da organização; Rachel Biderman, vice-presidente sênior para as Américas; e Mauricio Bianco, vice-presidente sênior da CI-Brasil. A programação contou ainda com falas de André Esteves, presidente do conselho e sócio sênior do BTG Pactual, e Marina Grossi, presidente do CEBDS, além de trocas com lideranças de empresas associadas. Ao longo do encontro, os participantes destacaram estratégias como financiamento misto, conversão de dívida por natureza, créditos de natureza e modelos de negócios capazes de acelerar uma economia positiva para a natureza no Brasil e na PanAmazônia - região que reúne os países com floresta amazônica em seus territórios.
“Empresas que incorporam a natureza à sua estratégia deixam de olhar a conservação apenas como responsabilidade socioambiental e passam a reconhecê-la como parte da gestão de riscos, da competitividade e da resiliência dos negócios. O Brasil tem um potencial enorme para liderar esse movimento e já vem mostrando isso com iniciativas práticas, como o projeto liderado pelo Timberland Investment Group (TIG) do BTG Pactual para restaurar paisagens no Cerrado”, destaca Mauricio Bianco.
O vice-presidente faz referência ao modelo conduzido pelo TIG, que já mobilizou US$ 1,24 bilhão para recuperar aproximadamente 280 mil hectares degradados no Brasil e no Uruguai. Com a CI-Brasil como consultora de impacto, a iniciativa organiza as áreas adquiridas em duas frentes: metade dedicada à proteção e restauração da vegetação nativa e metade à silvicultura de baixo impacto, combinando geração de créditos de carbono e produção de madeira certificada para financiar e ampliar as ações.
Uma oportunidade para destravar capital em escala
A conversa acontece em um contexto de crescente convergência entre estratégia corporativa, metas climáticas, compromissos positivos para a natureza e resiliência das cadeias de valor.
De um lado, empresas com atuação no Brasil, especialmente aquelas ligadas à Amazônia e a outros biomas estratégicos, enfrentam riscos cada vez mais concretos relacionados à degradação da natureza, à transparência das cadeias produtivas e à adaptação à crise climática. De outro, existe uma lacuna significativa de investimento para soluções socioambientais. Estima-se que as SBN - como a proteção de ecossistemas, manejo sustentável e restauração de paisagens - podem contribuir com até 30% das ações necessárias para enfrentar a crise climática, mas recebem apenas 3% do financiamento climático global.
“Diante de uma lacuna tão expressiva, o setor empresarial tem um papel decisivo em transformar compromissos climáticos e de biodiversidade em investimentos concretos. Encontros como este são fundamentais para ampliar o diálogo entre empresas, setor financeiro e sociedade civil, fortalecendo a colaboração necessária para impulsionar novas plataformas de financiamento e tirar boas iniciativas do papel com integridade e impacto nos territórios”, afirma Marina Grossi, presidente do CEBDS.
Para a CI-Brasil, esse cenário exige novos modelos de investimento, governança e colaboração. “Por isso, a organização vem articulando atores estratégicos para destravar fluxos financeiros e impulsionar modelos de negócios baseados na natureza, capazes de contribuir para a mitigação e a adaptação climática, fortalecer a conservação da biodiversidade e gerar valor para empresas e pessoas”, avalia Bianco.
