Belém (PA), 12 de maio de 2026 – Nesta terça-feira (12), a Conservação Internacional (CI-Brasil), uma das entidades executoras do Programa Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL) no Brasil, participou do painel “Escalando investimento da bioeconomia na Amazônia”, realizado como parte da programação do Bioeconomy Amazon Summit (BAS) 2026, em Belém (PA). A sessão reuniu alguns dos representantes dos projetos regionais do ASL na Colômbia, no Peru e no Brasil, além do Banco Mundial e da International Finance Corporation (IFC), para discutir como iniciativas locais na Amazônia podem avançar para oportunidades de investimento em larga escala, fortalecendo Soluções Baseadas na Natureza (SBN) capazes de gerar impacto para a natureza, o clima e as comunidades.
A conversa destacou caminhos para aproximar o apoio público inicial a iniciativas comunitárias do financiamento privado necessário para ampliar resultados nos territórios. Entre os temas debatidos, os participantes destacaram o desafio de preparar projetos locais para acessar investimentos, incluindo o fortalecimento de organizações de produtores, a estruturação de modelos de negócios e a superação de barreiras relacionadas à infraestrutura, certificação, rastreabilidade e escala.
A partir da experiência do ASL Brasil, a CI-Brasil contribuiu com exemplos de como investimentos públicos, planejamento territorial e parcerias locais podem criar as condições para que iniciativas de bioeconomia se tornem mais estruturadas e atrativas para novos financiamentos. Entre os resultados destacados estão o apoio a estudos preparatórios que contribuíram para uma concessão e manejo florestal em 1,9 milhão de hectares e a implementação de 44 mil hectares em restauração nos estados do Amazonas, Acre, Pará e Rondônia, viabilizados a partir da articulação de atores de diferentes setores. O ASL apoiou aos estudo preparatórios para a primeira concessão para restauração em unidade de conservação federal na Amazônia brasileira para uma área de aproximadamente de 98 hectares.
O painel também ressaltou que o ganho de escala depende da integração entre conservação da natureza, geração de renda e fortalecimento das capacidades locais. No âmbito do ASL Brasil, essa abordagem envolveu o apoio a agricultores familiares para a execução da restauração com sistemas agroflorestais em aproximadamente 1 mil hectares, o fortalecimento de viveiros com capacidade de produção de 800 mil mudas por ano e a criação de uma rede de sementes com comunidades tradicionais, além da elaboração de 13 acordos de pesca no Amazonas, abrangendo 1,7 milhão de hectares em áreas de conflito por pesca e envolvendo 1,6 mil famílias ribeirinhas e pesqueiras.
Gerente de projetos da CI-Brasil e representante do ASL Brasil no evento, Neila Cavalcante destacou que ampliar investimentos em bioeconomia na Amazônia depende de uma articulação cuidadosa entre comunidades, setor público e setor privado que valorize os conhecimentos locais e fortaleça as soluções construídas nos territórios:
"Transformar um projeto comunitário em uma iniciativa pronta para o mercado exige mais do que apenas recursos financeiros. Exige fortalecer capacidades locais, respeitar modos de vida e reconhecer o conhecimento tradicional como parte central da solução, criando condições para que essas iniciativas acessem novos mecanismos de financiamento sem perder o vínculo com os territórios”, destacou Neila. “Esse é o papel que o ASL Brasil vem ajudando a cumprir: construir pontes seguras entre comunidades amazônicas, setor público e setor privado, para que os investimentos em bioeconomia gerem retorno financeiro e, ao mesmo tempo, contribuam para a conservação da biodiversidade, a mitigação e adaptação climática e a melhoria real da qualidade de vida de quem vive e protege a floresta”, complementou.
O debate ainda explorou como as intervenções do setor público podem preparar o terreno para que o setor privado e abordagens de blended finance (financiamento misto) ajudem a escalar cadeias de valor sustentáveis na região. A participação do ASL no evento também incluiu agendas voltadas à construção de redes de contatos e ao desenvolvimento de planos de trabalho para o Grupo de Trabalho de Bioeconomia do programa, utilizando o BAS 2026 como plataforma para articular soluções concretas para fortalecer projetos de comunidades amazônicas.
“A Amazônia tem potencial para ser uma referência global em Soluções Baseadas na Natureza (SBN), desde que o financiamento chegue de forma estruturada, justa e conectada às realidades locais”, frisou a gerente no final do evento.
SOBRE O PAISAGENS SUSTENTÁVEIS DA AMAZÔNIA (ASL BRASIL)
A Amazônia é essencial para a vida no mundo, mas sua paisagem está passando por mudanças que ameaçam seus ecossistemas.
Para reverter esse cenário e contribuir com sua conservação e restauração, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, por meio da Secretaria de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBio/MMA), coordena o Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil), executado pela Conservação Internacional (CI-Brasil), pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV Europe), em parceria com Órgãos Estaduais de Meio Ambiente (OEMAs) e órgãos federais responsáveis pela gestão de áreas protegidas.
O ASL Brasil se insere no Programa Regional ASL, implementado pelo Banco Mundial (BM) e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), que inclui projetos no Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. Juntos, essas ações visam melhorar a gestão integrada da paisagem na Amazônia.
