Oficina reúne governo federal para debater soluções de infraestrutura verde-cinza como adaptação climática frente à elevação do nível do mar

Encontro promovido pelo Ministério das Cidades em parceria com a Conservação Internacional avançou na construção de uma agenda nacional para integrar Solução Baseadas na Natureza (SBN) às políticas públicas urbanas.

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February 11, 2026

Brasília (DF), 11 de fevereiro de 2026 — Nesta quarta-feira (11), o Ministério das Cidades, em parceria com a Conservação Internacional (CI-Brasil), realizou a oficina “Elevação do nível do mar em áreas urbanas: impactos e soluções de infraestrutura verde-cinza”, reunindo órgãos do governo federal para avançar na construção de uma agenda nacional de adaptação climática para as cidades brasileiras. O encontro, promovido em formato online, reforçou a integração entre planejamento urbano, financiamento público e Soluções Baseadas na Natureza (SBN) como estratégia de adaptação climática frente à elevação do nível do mar.

A atividade teve como objetivos apresentar o Roteiro “De Belém a Busan”, lançado durante a COP30, promover o alinhamento técnico entre ministérios e instituições estratégicas sobre os efeitos sistêmicos da elevação do nível do mar e construir uma agenda de trabalho para sua implementação. Renan Alves, gerente de Carbono Azul da CI-Brasil, conduziu a formação técnica sobre os riscos associados ao avanço do mar nas áreas urbanas e destacou como a Infraestrutura Verde-Cinza, uma das SBN, pode reduzir vulnerabilidades, restaurar funções ecológicas e fortalecer a resiliência das cidades. A programação também incluiu estudos de caso nas Américas e no Caribe e debate sobre caminhos para incorporar a Infraestrutura Verde-Cinza às políticas públicas brasileiras.

“O encontro foi extremamente relevante porque reuniu, na mesma mesa, atores federais responsáveis pelo planejamento, financiamento e implementação das cidades brasileiras. Em um momento em que o avanço da água do mar sobre áreas costeiras, as inundações e a elevação do nível do mar já afetam populações e infraestrutura, não é mais possível tratar a adaptação climática de forma fragmentada. Ter o Ministério das Cidades, bancos públicos, órgãos técnicos e instituições de planejamento articulados é um passo concreto para transformar a adaptação em agenda estruturante de investimento e política pública”, afirmou Renan.

Participaram da oficina representantes do Ministério das Cidades (MCID), do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), do Ministério do Turismo (MTUR) e da Casa Civil, além de instituições financeiras públicas como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal (CAIXA).

Roteiro “De Belém a Busan”: da urgência climática à implementação nas cidades

A elevação do nível do mar é um fenômeno de início lento, mas com impactos progressivos e duradouros. Seus efeitos podem se estender por mais de 100 quilômetros para o interior do continente. Um centímetro de elevação pode representar a perda de até 10 metros de terra, intensificando erosão costeira, inundações e a contaminação de aquíferos. 

No Brasil, 54% da população vive a até 100 km do litoral, contribuindo com aproximadamente 40% do Produto Interno Bruto (PIB), o que evidencia o risco sistêmico para infraestrutura urbana, abastecimento de água, geração de energia e economia local. Se ampliarmos o espectro para 150 km da costa contabilizamos mais de 111 milhões de brasileiros vivendo nessa zona, como mostra uma nota técnica enviada pela CI-Brasil ao Ministério das Cidades. Isso representa quase 55% da população do país e que são quase 2.000 municípios. Esses municípios concentram mais da metade da população brasileira e algo entre 60% e 65% do PIB nacional, o equivalente a cerca de R$ 6 a 7 trilhões em atividade econômica.

Nesse contexto, o Roteiro “De Belém a Busan” consolida-se como um chamado à ação para transformar compromissos internacionais em implementação coordenada nos territórios. A iniciativa busca ampliar a compreensão sobre os riscos associados ao avanço do mar nas áreas urbanas, apresentar soluções que integrem engenharia e natureza e fortalecer a convergência entre agendas globais como a Agenda 2030, o Marco de Sendai, o Acordo de Paris e a Década do Oceano. 

Resultado de um esforço coletivo entre diferentes organizações, o roteiro contou com a contribuição da CI-Brasil por meio do compartilhamento de conhecimento técnico sobre Soluções Baseadas na Natureza e Infraestrutura Verde-Cinza, do desenvolvimento de ferramentas para análise de custos e benefícios voltadas à adaptação costeira e da articulação de oportunidades de financiamento e cooperação internacional.