Brasília (DF), 22 de junho de 2026 – Nesta segunda-feira (22), a Conservação Internacional (CI-Brasil) foi nomeada para integrar o Comitê Nacional da Década do Oceano. Instituído no âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Comitê é um fórum de assessoramento técnico-científico, de caráter consultivo, criado para subsidiar o ministério no planejamento, na implementação e na divulgação das ações brasileiras ligadas à Década do Oceano. O fórum também apoia a participação do país em atividades da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (COI-UNESCO).
Com a designação de Nátali Piccolo, diretora do Programa Marinho e Costeiro da organização como suplente da cadeira de Especialista da sociedade civil, a CI-Brasil apoiará a titular Patrícia Menezes, cofundadora da Rede ODS Brasil, no aconselhamento sobre a implementação, o monitoramento e a avaliação do Plano Nacional de Implementação da Década da Ciência Oceânica no Brasil, além do acompanhamento das decisões relacionadas à preparação da Conferência da Década do Oceano 2027. O evento acontecerá na cidade do Rio de Janeiro entre 7 e 9 de abril de 2027.
“Para a CI-Brasil, a indicação reflete o compromisso institucional com a agenda oceânica e a capacidade técnica e científica da organização de contribuir para o aprimoramento de políticas públicas e instrumentos de gestão voltados à proteção, ao uso sustentável e à restauração dos ecossistemas marinhos e costeiros”, pontua Nátali. “Como representante da sociedade civil, temos a responsabilidade de conectar diferentes atores nesse processo, fortalecer a participação social, a transparência e a comunicação pública das atividades previstas na jornada da Conferência da Década do Oceano. Essa articulação é essencial para a construção de soluções coletivas para os desafios e resultados esperados desse movimento e compromisso global”, complementa.
A indicação reconhece a trajetória de mais de 30 anos da CI-Brasil na conservação de ecossistemas aquáticos, com destaque para a atuação no Extremo Sul da Bahia e, mais recentemente, na Amazônia, Sudeste e Sul do país. Entre os resultados estão a contribuição para a criação de quatro áreas protegidas e dois parques nacionais na região de Abrolhos, a estruturação do Fundo Abrolhos Terra e Mar, o fortalecimento de pescadores e marisqueiras tradicionais, a Aliança Futuri para o Turismo Regenerativo, o suporte à elaboração e implementação do ProManguezal e da rede do Mangrove Alliance no país, o apoio ao desenvolvimento de Acordos de Pesca no Amazonas e seu protocolo de monitoramento, além da contribuição ao recém-instituído Parque Nacional Marinho do Albardão, no Rio Grande do Sul - a maior unidade de conservação marinha de proteção integral do Brasil.
Uma instância para fortalecer a ciência oceânica no Brasil
O Comitê Nacional da Década do Oceano, coordenado pela Coordenação-Geral de Ciências para o Oceano e Antártica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com ações em curso de implementação pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), reúne representantes do governo federal, instituições de pesquisa, organismos internacionais, sociedade civil, povos indígenas, comunidades tradicionais, juventudes, setor privado, comunicação social, cultura oceânica e Grupos de Apoio à Mobilização.
Entre as atribuições do comitê estão apoiar o planejamento, a implementação e a divulgação das ações relacionadas à Década do Oceano, orientadas pelo Plano Nacional de Implementação da Década da Ciência Oceânica - documento que organiza diretrizes, mecanismos de governança e caminhos para a participação da sociedade na agenda oceânica brasileira. A instância também tem como papel promover e coordenar a participação do Brasil em atividades da COI-UNESCO e contribuir para a preparação da participação brasileira na Conferência da Década do Oceano 2027.
“O ingresso da CI-Brasil na instância ocorre em um momento importante da agenda oceânica. Na segunda metade da Década do Oceano, cresce a necessidade de transformar conhecimento científico em ação, com políticas públicas, inovação, financiamento e governança capazes de responder aos desafios que já afetam a natureza e as comunidades costeiras”, completa Nátali.
Atuação conectada a redes marinhas e costeiras
A participação no comitê se soma à presença da CI-Brasil em diferentes redes e espaços de articulação voltados à conservação marinha e costeira no país.
A organização lidera a Aliança Futuri para o Turismo Regenerativo e a rede do capítulo Nordeste da Mangrove Alliance, além de integrar o PainelMar, a Câmara Técnica de Espécies da Fauna Aquática Ameaçadas da CONABIO, o Grupo de Trabalho (GT) Clima e Oceano do Observatório do Clima, o Coletivo Abrolhos, a Câmara Técnica do ProManguezal, a Coalizão dos Corais do Brasil e a rede de pesquisa para o mar profundo do INPO.
Essa atuação amplia a capacidade da organização de contribuir para que a agenda oceânica avance de forma integrada, conectando conhecimento científico, incidência política, experiência de campo e participação social para promover a conservação da natureza associada à valorização dos modos de vida das comunidades que dependem do oceano.
Sobre a Década do Oceano
A Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, também chamada de Década do Oceano, foi declarada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o período de 2021 a 2030. Seu lema é “a ciência que precisamos para o oceano que queremos”, com a missão de catalisar soluções transformadoras baseadas na ciência oceânica para o desenvolvimento sustentável, conectando as pessoas ao oceano.
No Brasil, o Plano Nacional de Implementação da Década da Ciência Oceânica foi elaborado pelo MCTI e está alinhado ao Plano Global da Década, aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas. O documento orienta ações nacionais em consonância com a Agenda 2030 e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 14, dedicado à vida na água.
A cidade do Rio de Janeiro sediará a Conferência da Década do Oceano 2027, entre 7 e 9 de abril, coorganizada pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO, pelo MCTI e pela Prefeitura do Rio. O encontro reunirá cerca de dois mil participantes, incluindo cientistas, líderes mundiais e formuladores de políticas públicas, para avaliar avanços, apresentar iniciativas, gerar parcerias e discutir o legado da Década no período pós-2030.
