São Paulo (SP), 19 de maio de 2026 – A Conservação Internacional participou, nesta terça-feira (19), do painel de abertura do evento “Nexo Oceano-Clima: oportunidades de investimentos e ações”, realizado pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) no SP Hall, em São Paulo, como parte da programação da Brazil Climate Investment Week (BCIW) 2026. O encontro reuniu lideranças da ciência, do setor financeiro, de governos, organizações da sociedade civil, filantropia e especialistas em economia azul para discutir como integrar o oceano à agenda climática e destravar caminhos concretos de financiamento e implementação.
A Conservação Internacional foi representada por Sebastian Tröeng, CEO da organização, que participou do painel de boas-vindas ao lado de Maria Netto, diretora-executiva do iCS; Andrea Cancela da Cruz, coordenadora-geral de Ciências do Oceano e Antártica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); e Julian Barbiere, chefe da Seção de Política Marinha e Coordenação Regional da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
O ponto de partida da conversa foi o entendimento de como as mudanças oceânicas provocadas pela crise climática já impactam a vida das pessoas, os sistemas alimentares, a infraestrutura costeira e as economias locais. Em sua fala, Sebastian destacou que o oceano precisa ser tratado como parte central das decisões sobre clima, desenvolvimento e investimento, especialmente em um país como o Brasil, que possui 12 das 26 capitais localizadas na costa e grande parte da população vivendo em áreas costeiras.
“O Brasil tem uma oportunidade concreta de liderar a agenda oceano-clima. O oceano é central para a estabilidade do clima, para a economia, para a vida das pessoas e para a resiliência das comunidades costeiras. Soluções como a conservação de manguezais, a criação de áreas marinhas protegidas, a pesca sustentável e a infraestrutura verde e cinza mostram que já existem caminhos para transformar essa agenda em ação. O desafio agora é ampliar escala, financiamento e governança para que o país chegue à Conferência da Década do Oceano da ONU, em 2027, com ainda mais exemplos concretos de implementação”, pontuou o CEO da Conservação Internacional.
Entre exemplos de soluções, Sebastian ressaltou o Programa Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Manguezais do Brasil (ProManguezal), política que estabelece diretrizes para a conservação e o uso sustentável de 1,2 milhão de hectares de manguezais, que contou com apoio da CI-Brasil no desenvolvimento.
O CEO mencionou o trabalho da organização com comunidades extrativistas, iniciativas de conservação marinha e fundo financeiros voltados a apoiar a criação de áreas marinhas protegidas – como foi o caso do Parque Nacional Marinho do Albardão, maior unidade de conservação marinha do Brasil. A fala também abordou oportunidades ligadas à economia azul, incluindo pesca e aquicultura sustentáveis, infraestrutura verde e cinza e modelos de investimento capazes de promover o uso sustentável do oceano.
A transmissão completa do evento está disponível neste link.
Do potencial à implementação
O oceano é um elemento fundamental do sistema climático: absorve mais de 90% do calor excedente produzido pelo aquecimento global, captura cerca de um terço do CO₂ emitido pela humanidade e regula fluxos de energia e umidade que influenciam padrões de chuva e eventos extremos. No Brasil, país com cerca de 7,5 mil km de litoral, a agenda oceânica atravessa dimensões ambientais, sociais e econômicas fundamentais.
Apesar desse potencial, o nexo oceano-clima ainda precisa ser traduzido em iniciativas de mitigação e adaptação climática mais integradas, estruturadas e financiáveis. Foi a partir desse desafio que o evento discutiu caminhos para aproximar ciência, políticas públicas, instrumentos financeiros e governança, discutindo temas como resiliência costeira, sistemas alimentares marinhos, descarbonização do transporte marítimo, energia renovável no mar e economia azul.
“Para o Instituto Clima e Sociedade, o lançamento desse evento [...] tem a ideia de levantar a importância do nexo entre clima e oceano. Começamos a entender como essa agenda passou a ser menos uma agenda vista como de pesquisa, desconectada da economia, para uma agenda importante por causa de resiliência econômica, segurança alimentar, que afeta a infraestrutura, energia e a competitividade inclusive global”, destacou Maria Netto durante a abertura do evento.
O encontro faz parte de uma trilha de articulações promovida pelo iCS para apoiar a construção de propostas implementáveis e financiáveis da agenda oceano-clima. As discussões devem contribuir para a Conferência da Década do Oceano da ONU, que será sediada pelo Brasil, no Rio de Janeiro, em 2027.
